Foto: Presidência da República
Foto: Presidência da República

Em Curitiba, Greca aparece com 56% das intenções de votos

Disputando a reeleição, candidato do DEM tem chances de vencer já no primeiro turno; ele teve o apoio do governador

Julio Cesar Lima, especial para o Estadão

14 de novembro de 2020 | 23h19

CURITIBA - Com número recorde de candidatos (15 no total), a eleição em Curitiba (PR) é marcada até aqui pelo favoritismo de Rafael Greca (DEM), que tenta a reeleição e tem chances de vencer já neste primeiro turno.

O atual prefeito aparece com 56% das intenções de votos válidos em pesquisa Ibope divulgada no sábado, 14, pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC), bem à frente dos deputados estaduais Goura Nataraj (PDT), com 11%, e Fernando Francischini (PSL), com 8% .

Na sequência, aparecem João Arruda (MDB), com 5%; e Christiane Yared (PL) e Carol Arns (Podemos), ambas com 4%, entre os principais concorrentes.

Segundo analistas, a estratégia de Greca segue, em parte, um roteiro traçado pelo governador Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD), que trabalhou para abrir espaço para a candidatura do atual prefeito e costurou a manutenção do vice, Eduardo Pimentel (também do PSD), na chapa. 

“O governador trabalhou para abrir espaço para (a eventual) reeleição de Greca, desde que fosse mantido o vice, Eduardo Pimentel. Houve um momento em que Greca pensou em substituir o vice, porém o governador sinalizou que poderia retirar seu apoio. Parece que o objetivo é garantir uma continuidade com o Pimentel, pois Greca não poderá mais se candidatar à Prefeitura”, disse o cientista político Emerson Cervi, membro do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Nesse processo, o anúncio da desistência de pelo menos três candidaturas também ajudou a pavimentar o caminho de Greca para uma possível reeleição. Deixaram a disputa o atual secretário de Justiça do Estado, Ney Leprevost (PSD) – principal adversário de Greca na eleição passada –, e os deputados federais Luizão Goulart (Republicanos) e Gustavo Fruet (PDT), ex-prefeito da capital.

“No caso do Fruet, como candidato de oposição à Prefeitura e ao governo do Estado, ele precisava de uma estrutura e apoios, principalmente do seu partido, mas não teve as garantias necessárias”, explicou Cervi.

Clima

A campanha em Curitiba, mesmo com 15 candidaturas, manteve um clima considerado “pacífico” em sua maior parte. Com exceção de Francischini, que apresentou denúncias contra o atual prefeito, os outros candidatos optaram apenas pela apresentação de propostas.

As denúncias contra Greca – uma delas, entregue ao Ministério Público Federal – apontavam eventual favorecimento do prefeito para integrantes de sua família, por meio de empresas, mas Greca conseguiu direito de resposta e ocupou o horário eleitoral de Francischini para se defender.

Já o PSOL teve problemas por causa da apresentação de quatro mandatos coletivos. Segundo o advogado do partido, Décio Franco David, “no início houve a tentativa de impugnação do registro de quatro candidaturas coletivas, mas demonstramos que não havia infração e a candidatura coletiva é uma realidade em países da Europa”.

Os outros partidos entraram com recursos, em sua maioria, para coibir o que foi considerado como abuso econômico, para a retirada de propaganda considerada falsa, além de garantir espaço nas redes de televisão e nos debates em veículos de comunicação de forma isonômica.

Para o advogado do PCdoB, Daniel Gaspar, a campanha foi de modo geral criteriosa. “Muitas campanhas, por terem recursos para cobrir as multas da Justiça Eleitoral e por entenderem que o prejuízo financeiro não supera o lucro político das ações, deliberadamente tomam essas ações antijurídicas”, disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.