Em convenção, Serra ataca gestão do PT em SP, e PSDB pede chapa pura

Eleição paulistana. Com um discurso crítico ao governo da petista Marta Suplicy, ex-governador foi lançado ontem candidato à Prefeitura; tucanos agora pressionam também pelo cargo de vice na chapa, tirando a indicação do PSD do prefeito Gilberto Kassab

BRUNO BOGHOSSIAN E JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

25 Junho 2012 | 03h06

O ex-governador José Serra foi lançado ontem candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo em meio a uma pressão de seu partido para que a indicação do cargo de vice-prefeito fique com os próprios tucanos, e não com o PSD, partido do prefeito Gilberto Kassab.

Em discurso em um ginásio da capital, Serra defendeu a gestão Kassab, destacou a parceria com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e atacou o governo do PT de Marta Suplicy (2001-2004), a quem sucedeu na prefeitura. Durante sua fala, foi interrompido por gritos de filiados do PSDB: "Eu quero a vice".

Após ceder espaço ao PSD na chapa dos vereadores, os tucanos querem agora diminuir a influência do prefeito, tirando dele a indicação do vice. Apesar de próximo a Serra, Kassab enfrenta resistência de quadros do PSDB ligados a Alckmin, derrotado por ele na eleição de 2008.

Kassab quer emplacar Alexandre Schneider (PSD), ex-secretário municipal de Educação. A indicação, porém, passou a ser bombardeada por tucanos já que Kassab ainda não conseguiu que a Justiça conceda a sua sigla mais tempo de propaganda eleitoral - como foi criada em 2011, a legenda tem participação marginal na distribuição do tempo de TV.

Como o prazo para a definição da vice termina esta semana, os tucanos passaram a insuflar duas candidaturas: a do ex-secretário de Cultura Andrea Matarazzo, próximo a Serra, mas que conta com a resistência de Kassab; e a do coordenador da campanha, Edson Aparecido, defendida por secretários de Alckmin.

O DEM corre por fora com o deputado Rodrigo Garcia. Eduardo Jorge (PV), ex-secretário municipal de Meio Ambiente, fora cotado, mas perdeu força desde que seu nome apareceu em escândalo sobre liberação de imóveis na cidade. "Defendo que o vice seja do PSDB. Já cedemos espaço ao PSD", disse o vereador tucano Floriano Pesaro. Serra não abordou o tema. Apenas informou que decidirá até o dia 30.

Defesa. Serra defendeu o governo Kassab, cuja gestão tem aprovação de menos de 30% dos eleitores. "Temos um desafio enorme pela frente. Mostrar à população o que fizemos", disse o candidato, que afirmou ter "orgulho" do prefeito, que foi seu vice.

O ex-governador enumerou ações feitas por ele e por Kassab, como os investimentos em saúde e as vitrines sociais da gestão tucano-kassabista. "Nossa cidade avançou, bastante, mas precisa ir mais longe. Há mais coisas a fazer do que já fizemos. O futuro nos aguarda", declarou.

O candidato também falou das parcerias com Alckmin, considerado o melhor "cabo eleitoral" entre os tucanos, segundo as pesquisas de intenção de voto. "A viabilidade delas depende essencialmente de uma grande parceria com o governo do Estado, que vem se fortalecendo desde que assumi a Prefeitura em 2005 e vai continuar se aprofundando", disse Serra, para quem é "impossível" haver entrosamento melhor que o dele com Alckmin.

Serra disputa a Prefeitura pela quarta vez. Elegeu-se em 2004, mas renunciou um ano e três meses depois para disputar o governo do Estado. Cotado para concorrer à Presidência em 2014, não falou sobre cumprir os quatro anos de mandato. "O meu sonho é voltar a ser prefeito da cidade que amo", afirmou. Emocionado e sem citar o futuro, disse que pretende continuar se preparando para servir ao País, "esteja na trincheira em que estiver".

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