Em comícios, Haddad parte para o ataque contra Russomanno

Na mais forte ofensiva contra o adversário do PRB, petista o acusou de não ter propostas nem 'noção' de gestão pública

O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h04

O candidato Fernando Haddad (PT) desferiu ontem os mais fortes ataques ao líder das pesquisas, Celso Russomanno (PRB), desde que a campanha eleitoral pela Prefeitura de São Paulo começou.

"Ele (Russomanno) não fala que não tem partido, que não faz proposta, que não tem padrinho, não tem apoio, não tem nada", vociferou Haddad, em comício na Vila Brasilândia, periferia da zona norte. "É um candidato muito engraçado. Parece aquela casa do Vinícius de Moraes, não tinha teto, não tinha nada."

Mas tarde, em outro comício, no bairro de Jaçanã (zona norte), Haddad voltou a apontar supostas debilidades do adversário: "O Russomanno é boa pessoa, quis resolver o problema da máquina de lavar, a falta de garantia. Acho bacana o cara ir até a TV e dizer 'rachou a parede, a privada não tá funcionando'. Tudo bem. Mas pra governar São Paulo precisa de um pouquinho mais do que isso. Porque não é o direito do consumidor. É o direito do cidadão."

O petista acrescentou: "E tem uma pequena diferença entre o consumidor e o cidadão: o programa que ele não tem e o programa que nós apresentamos a vocês. Se ele tivesse respeito pelo cidadão, já teria apresentado o plano de governo dele. Não queremos uma pessoa que entre lá e fique com uma câmera na mão no posto de saúde para filmar a desgraça humana. Nós queremos uma pessoa que gerencie os problemas de São Paulo."

O candidato do PT também criticou uma proposta de Russomanno de cobrar do cidadão pelo uso do ônibus de acordo com a distância percorrida. "Sou capaz de apostar que não é por mal", afirmou. "Não é para favorecer o rico e prejudicar o pobre. É porque a pessoa não tem noção da coisa. Não conhece a administração pública."

Haddad usou mais uma vez contra o tucano José Serra o fato de ele ter deixado seu mandato de prefeito antes da metade. "O Serra quer voltar a ser prefeito, não sabemos por mais quanto tempo. Provavelmente por mais um ano", disse.

Mais cedo, em entrevista ao SPTV, da Rede Globo, o petista afirmou que o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal constrange toda a classe política. Ele disse esperar punição a quem errou, mas ressaltou que a Justiça deve julgar todos os casos. "O mensalão do PSDB é muito anterior, é de 1998", afirmou, em referência ao escândalo que envolveu Eduardo Azeredo, então governador de Minas. / FERNANDO GALLO, ROBERTO LIRA e RODRIGO PETRY

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