André Lessa/AE
André Lessa/AE

Em comício, Serra diz que Dilma ‘usa governo como propriedade privada’

Candidato tucano investe contra a presidente na véspera de sua participação em evento da campanha de Haddad em SP

Felipe Frazão e Julia Duailibi, de O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2012 | 19h33

Na véspera do desembarque da presidente Dilma Rousseff em São Paulo para participar de um comício de Fernando Haddad (PT), o candidato tucano à Prefeitura, José Serra, afirmou no domingo, 30, que ela "usou o governo" para beneficiar o candidato petista. Chegou a citar o filme O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, para atacar o fato de Haddad ser apadrinhado pela presidente e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Aqui não tem ninguém apadrinhado. O último filme que eu vi com esse título é do começo dos anos 1970, O Poderoso Chefão (‘The Godfather’, que significa o padrinho, em tradução literal). Não precisamos de padrinho", disse Serra durante discurso na Vila Matilde, zona leste. Ele estava acompanhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), cuja imagem é bastante usada na campanha.

Referindo-se a uma frase dita em 12 de setembro - "Dilma vem meter o bico em São Paulo" -, o tucano afirmou: "Quando eu disse que a presidente da República errou, não disse que errou porque deu palpite na eleição aqui. Ela não é de São Paulo, conhece pouco São Paulo."

No discurso, Serra também bateu no fato de a senadora Marta Suplicy (PT) ter sido nomeada para o Ministério da Cultura, antes ocupado por Ana de Hollanda, após começar a apoiar a candidatura de Haddad. "Demitir uma ministra e nomear outra ministra só para ter o apoio interno dentro do PT para um candidato a prefeito é usar governo como se fosse propriedade privada."

Dilma sobe nesta segunda-feira, 1, no palanque de Haddad às 19h na zona leste. Lula também participa do comício.

Coube ao ex-governador Alberto Goldman (PSDB) vincular Haddad - a quem chamou de rapaz "novo e engomadinho" - ao caso do mensalão, afirmando que o STF já decidiu que houve desvio de dinheiro público e que os beneficiários fazem parte da base do governo federal. "Pessoas ligadas ao atual candidato do PT", disse. "Essa semana o STF vai decidir quem foram aqueles que organizaram essa quadrilha."

O candidato petista, por sua vez, direciona suas críticas ao líder nas pesquisas, Celso Russomanno (PRB), que no domingo não teve agenda pública - na sexta-feira nasceu sua filha Katherine. Após carreata na zona leste, Haddad relacionou a proposta do adversário de criar tarifa de ônibus proporcional à distância percorrida a aumento do "desemprego na periferia". "Nenhum empregador que mora perto vai contratar alguém que mora longe. Ele vai aumentar os custos da empresa dele desnecessariamente", disse o petista, que também criticou o uso da religião na campanha.

Os tema esteve presente também no comício tucano. O vereador Gilson Barreto (PSDB) disse que Deus não vai referendar para administrar a cidade "um pastor chamado Edir (Macedo), que se intitula dono de um candidato fraco". A cúpula do PRB é formada por integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus, fundada por Edir Macedo./ COLABOROU BRUNO LUPION

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.