Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Em comício em Duque de Caxias, Marina fala em 'mensalet'

Candidata afirma que foi criado grupo 'com milhares de pessoas pagas para mentir' nas redes sociais: 'É um verdadeiro mensalet'

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2014 | 21h14

RIO - A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, usou a expressão "mensalet" e acusou adversários de formar um grupo com "milhares de pessoas pagas para mentir nas redes sociais", em comício no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na noite desta quinta-feira, 25.

"É um verdadeiro mensalet", discursou Marina, juntando as palavras mensalão e internet. Pouco antes, de cima do palanque, ela havia perguntado quem estava nas redes sociais. "Agora, espontaneamente, por favor nos ajudem a falar a verdade, a falar das propostas. Não é para fazer com eles (os adversários) a mesma coisa. Não é para responder na mesma moeda. Não queremos destruir a Dilma (Rousseff, presidente e candidata petista à reeleição), não queremos destruir o Aécio (Neves, candidato tucano à presidência)", disse a candidata. "Nós só queremos uma coisa. Queremos construir um Brasil diferente. A nossa perspectiva é a da política com P maiúsculo. Essa é a diferença. Eles não sabem de onde vem a nossa força. Ela vem do respeito à diversidade e ao cidadão que já não quer mais ser espectador, que vai escalar uma seleção dos melhores dos partidos, das empresas, dos movimentos sociais e do funcionalismo público", discursou.

Marina voltou a dizer que é contra a reeleição e reafirmou que não vai acabar com projetos do PT como o Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família, além da exploração do pré-sal. "É mentira! O que vamos acabar é com a corrupção", afirmou. "Já teve um presidente que ganhou a eleição com mentira contra o Lula. Foi o Collor. Ele dizia as mesmas mentiras que agora a Dilma está dizendo contra mim. Não vale tudo para ganhar a eleição. Se for para ganhar mentindo, não estou disposta a isso. Vamos aposentar a velha república. Me ajudem. Estamos deixando eles apavorados."


O comício, na Praça da Emancipação, também conhecida como Praça do Relógio, estava marcado para as 17h30, mas começou com duas horas de atraso. O público não lotou a praça. Marina começou o discurso dizendo que primeiro queria agradecer a Deus por estar ali. Depois, agradeceu ao público pela "paciência", por causa da demora. Ela centrou as críticas no que classificou como uma tentativa dos adversários de "desconstruir a nossa proposta e criar uma cortina de fumaça". "O cidadão não pode assinar um cheque em branco", disse a candidata, referindo-se à falta de um projeto de governo de Dilma e Aécio.

Marina comprometeu-se em aplicar, se eleita, 10% da arrecadação bruta em saúde. "Quando é para aumentar os juros para que aqueles que especulam com o capital financeiro ganhem mais dinheiro, ninguém pergunta nada. Quando são escândalos que estão acabando com a Petrobrás, ninguém pergunta nada. Mas quando é (dinheiro) para a saúde, a segurança, a educação e o transporte, vem a pergunta. O dinheiro vai aparecer das escolhas corretas que fizermos, do planejamento e do combate à corrupção", discursou. "Não estamos aqui para fazer promessas, mas para assumir compromissos. Queremos que o nosso povo tenha igualdade de oportunidades. Quero um governo para que a escola do pobre seja tão boa quanto a do rico."

No comício, a candidata voltou a dizer que o contrário de injustiça não é justiça, é amor. "Porque toda a justiça que não se faz por amor não é justiça, é vingança, quem disse isso foi o Shakespeare." Exatamente uma hora após ter chegado, Marina deixou o local sem dar entrevista, acompanhada pelo candidato a vice em sua chapa, Beto Albuquerque. "Mariana é que nem bambu, verga mas não quebra", discursou o vice, referindo-se aos ataques de adversários durante a campanha. Beto prometeu instituir o Passe Livre para todos os estudantes. "Chega a ser ridículo o discurso do PT e dos tucanos. Temos que ter medo é de continuar a roubalheira que está aí."

Ao chegar, a candidata era aguardada por José Emídio da Costa, de 79 anos, tio de Marina, cearense e morador de Duque de Caxias há 36 anos. "Ela nem sabe que eu estou aqui hoje. Acho que a coisa vai pra frente, por conta da honestidade dela. O canto dela está lá em Brasília", disse o parente, confiante na vitória da socialista. Também foi dar apoio a Marina o ex-preso político e fundador do PT Eurico Natal, de 87 anos, que presidiu o Partido dos Trabalhadores em Caxias.

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