Em casa, Lula planeja 2012 e fim de prévias

Ex-presidente vai procurar pré-candidatos na SP e traça estratégias para o PT no País

GUSTAVO URIBE / AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2011 | 03h01

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem a expectativa de participar da campanha para as eleições municipais de 2012 e sinalizou ontem que pretende, já nas próximas semanas, conversar com os pré-candidatos do PT para selar uma unidade partidária que evite a realização de prévias em São Paulo. Lula recebeu a visita da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e do prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), em sua residência, no ABC paulista, onde prossegue o tratamento quimioterápico contra o câncer na laringe, diagnosticado há uma semana.

A conversa com o ex-presidente, conforme os interlocutores, durou quase meia hora. "Uma boa parte do tempo nós ficamos discutindo o quadro político tanto em São Paulo como no Grande ABC", afirmou a ministra.

Lula considerou importante a decisão da senadora Marta Suplicy - que anteontem anunciou oficialmente o abandono de sua pré-candidatura - e indicou que pretende dialogar com os outros pré-candidatos petistas na capital paulista a favor da candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad.

"O ex-presidente tem participado deste processo e deve voltar a atuar assim que estiver em condições para ajudar a selar essa unidade partidária", disse Marinho, que integra o grupo de prefeitos escalado pelo PT-SP para definir as estratégias do partido nas eleições do ano que vem e ajudou a articular a candidatura de Haddad. "A unidade partidária em São Paulo é fundamental para essa disputa."

No encontro, contudo, Lula não fez qualquer comentário sobre a posição adotada por Marta, que oficializou a saída da disputa pela Prefeitura sem manifestar apoio ao ministro da Educação. Segundo Miriam Belchior, o ex-presidente pretende, na próxima semana, se reunir com a senadora no Instituto Lula. "Ele comentou da importância da decisão dela, mas disse que eles vão conversar melhor", observou a ministra, que deixou o apartamento do ex-presidente confiante em sua recuperação.

"Se ele esta semana já está falando que na semana que vem estará no Instituto Lula, imagine no ano que vem, quando ele já tiver terminado o tratamento. Eu não tenho dúvidas de que ele vai estar a toda."

PAC. No encontro, o ex-presidente voltou a reclamar do resultado da última edição do estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que deixou o Brasil em 84º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Lula também teria pedido à ministra para que ela não descuide do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sob responsabilidade do Ministério do Planejamento.

Voz. A ministra disse que o ex-presidente está "ótimo" e que sua voz voltou ao normal, não apresentando mais tanta rouquidão. "Ele falou cinco minutos do tratamento e todo o resto de política e do Corinthians", ressaltou. "E eu, pelo menos, que estou bastante atribulada em Brasília, saio cheio de energia com a energia dele."

Miriam e Marinho chegaram à residência de Lula por volta das 14h. Pela manhã, contudo, já havia movimento no edifício onde reside o ex-presidente, no centro de São Bernardo do Campo.

Às 11h30 uma equipe médica chegou ao local com medicamentos. No início da tarde, uma cama do tipo box, com colchão de mola, foi entregue no apartamento dele. A encomenda teria sido feita pela ex-primeira dama Marisa Letícia, que prepara um novo quarto para o marido durante o tratamento contra o câncer. Além do novo quarto, ela tem reorganizado o apartamento do casal para que o ex-presidente receba melhor amigos e autoridades.

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