Em Campinas, PSB aposta em relação 'flex' com Estado e União

Governador de Pernambuco afirma que 'desmontará palanque' para auxiliar Planalto a aprovar planos como o de royalties do petróleo No 2º turno, candidato Jonas Donizette ressalta relações com petistas no governo federal e com os tucanos no estadual

RICARDO BRANDT E EDUARDO BRESCIANI, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2012 | 08h40

O PSB assumiu em Campinas nesse segundo turno o discurso de que a prefeitura da cidade - maior colégio eleitoral do interior de São Paulo, com 785 mil votantes - será a vitrine do "modo de governar" do partido no Estado, que é dominado pelo PSDB e foi berço do PT.

Apresentando-se como candidato de um governo "flex" para Campinas - que terá boas relações com petistas no governo federal, como com os tucanos no governo estadual -, o candidato Jonas Donizette (PSB) reforçou as citações à legenda nos programas eleitorais e nos discursos como arma para enfrentar o petista Márcio Pochmann. O PSB foi o partido que teve o maior crescimento proporcional nas urnas nas eleições de 2012.

"Campinas é cidade estratégica para o PSB. Nós, que já temos governos aprovados em outras partes do País, queremos ter a gestão de Jonas em Campinas como vitrine da nossa capacidade de fazer governos focados no interesse do povo, principalmente dos que mais precisam", afirmou o presidente nacional do PSB e governador de Pernambucano, Eduardo Campos, durante visita à cidade na última terça-feira.

O mote partidário invadiu também discursos, entrevistas e a propaganda eleitoral de Jonas no rádio e na TV.

'Total flex'. No Estado, Jonas é aliado e discípulo do PSDB do governador Geraldo Alckmin. A legenda tucana tem o vice na chapa, Henrique Teixeira. Alckmin esteve na cidade no primeiro e no segundo turnos e gravou para o programa eleitoral do candidato.

Deputado federal pelo PSB paulista, Jonas também é aliado no governo federal da presidente Dilma Rousseff. Desde o primeiro turno, Jonas explora essa aliança como garantia de que além do apoio do PSDB em São Paulo, terá portas abertas entre os petistas no governo federal.

Justiça. Durante toda a campanha, usou imagens de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT foi à Justiça para tentar impedir o uso da imagem dos petistas, mas teve sucesso.

Como estratégia, a campanha de Pochmann acabou escalando Lula para afirmar em um depoimento gravado de que ele e a presidente Dilma "não tinham outra candidato" na cidade, a não ser o petista.

O governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, procurou reduzir a importância das disputas com o PT nas eleições municipais deste ano e afirmou ontem que, após este período, pretende "desmontar o palanque" e ajudar a presidente Dilma Rousseff a governar. Ele está em São Luís, no Maranhão, onde participou de uma caminhada com o candidato Edivaldo Holanda Júnior (PTC), que enfrenta o tucano João Castelo no segundo turno.

Pesquisa Ibope encomendada pela TV Mirante e divulgada ontem mostra o candidato Edivaldo Holanda Júnior (PTC) com 10 pontos porcentuais a mais em relação a seu adversário, João Castelo (PSDB).

"Encerrada a eleição, vamos desmontar o palanque e ajudar a presidente Dilma a governar o Brasil", disse o presidente do PSB. "Claro que eleições mais acirradas deixam mais sequelas, mas tem gente que cuida disso e olha pra trás e gente, como nós, que olha pra frente. A pauta do povo não é a briga dos políticos. Quem fica nessa briga perde as próximas eleições", completou.

O PSB e o PT já travaram no primeiro turno disputas diretas no Recife (PE) e em Belo Horizonte (MG), ambas vencidas pela legenda de Campos. No segundo turno, os partidos estão em lados opostos em cidades como Fortaleza (CE) e Campinas (SP). Os partidos estão juntos em São Paulo, mas Campos participou de apenas um evento na cidade, ainda no primeiro turno. O governador de Pernambuco disse que não falou mais com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde esse evento, mas afirma não haver problema de relacionamento entre os dois.

O bom desempenho eleitoral do PSB e a desenvoltura com que Campos tem desfilado por diversos palanques País afora tem levado a especulações de que o governador de Pernambuco pudesse antecipar para 2014 seu projeto de disputar a Presidência da República. No entanto, ele evita o tema: "O PSB é um partido em crescimento. Estivemos juntos com Lula e estamos com Dilma. Nosso papel é ajudar a presidente Dilma. Para 2014 nenhum partido tem condições de dizer o que vai fazer. Essa definição dependerá da conjuntura".

O presidente do PSB afirmou que após as eleições é preciso direcionar o foco para questões como a nova distribuição dos recursos dos royalties do petróleo e a nova fórmula de cálculo do Fundo de Participação dos Estados. Disse ser necessário ainda manter a atenção em relação à crise econômica internacional e buscar uma forma de socorrer os municípios que estão com problemas de receita.

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