Em campanha no Rio, Marina diz que eleitor está 'muito mais ressabiado'

Em campanha no Calçadão de Madureira, muitos admiradores abraçaram ex-senadora, que diziam conhecer da televisão, por causa da eleição passada; poucos, no entanto, mostravam interesse pela disputa municipal, embora recebessem os panfletos de Marina e Molon

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2016 | 20h28

Rio - Recebida com carinho por eleitores que passavam no Calçadão de Madureira, uma das áreas mais movimentadas de comércio popular da zona norte, a ex-senadora Marina Silva, fundadora da Rede Sustentabilidade, fez campanha na tarde desta quarta-feira, 28, ao lado do candidato do partido à prefeitura do Rio, Alessandro Molon, que tem apenas 1% das intenções de voto, segundo o Ibope. “Visitei 48 cidades até agora, algumas mais de uma vez. Há um eleitor muito mais ressabiado, como se diz no Norte”, disse Marina, terceira colocada na disputa presidencial de 2014, ao ser questionada sobre a primeira eleição disputada pela Rede, criada há um ano.

Muitos admiradores abraçaram Marina, que diziam conhecer da televisão, por causa da eleição passada. Poucos, no entanto, mostravam interesse pela disputa municipal, embora recebessem os panfletos de Marina e Molon, com as principais propostas do candidato. Na maior parte das dez capitais onde a Rede disputa a prefeitura, o desempenho dos candidatos não é muito melhor que o de Molon. Reportagem publicada no Estado no domingo, 25, mostrou que apenas o prefeito de Macapá, Clécio Luís, com 27% no Ibope, tem chances de vitória. Os outros nove tem entre zero e 4% de intenção de votos nas pesquisas. 

“Dentro do que nos propusemos, de primar pela qualidade e não pela quantidade (dos candidatos), estamos indo muito bem. Nossos candidatos estão preparados para apresentar nosso programa, para fazer debates, não embates”, disse a ex-senadora. Apesar da decepção dos eleitores com a política, Marina disse que tem sido recebida “com respeito e atenção”. “Tenho sido muito bem recebida, mas o momento é muito difícil, há 12 milhões de desempregados, os serviços públicos não funcionam, 57 mil assassinatos por ano mostram que a segurança pública está em colapso, o eleitor tem toda razão de estar preventivo com o processo político”, afirmou. 

Segundo Marina, a Rede não traçou meta de eleição de prefeitos e vereadores. “Temos candidaturas compatíveis com o DNA da Rede e não estamos instrumentalizando a eleição de 2016 para a eleição de 2018”, declarou. A ex-senadora lembrou que a Rede, na maior parte das cidades, tem pouco tempo na propaganda de rádio e TV. “Não fizemos alianças a qualquer custo e a qualquer preço pelo tempo de TV”, disse. 

Marina lembrou a atuação da Rede e do PSOL, há duas semanas, ao denunciar a manobra de deputados para anistiar políticos que utilizaram caixa 2 em campanha, na discussão do projeto que criminaliza esta prática. “Foi uma manobra perversa, demos uma excelente contribuição para evitar essa afronta. Seria o mesmo que querer introduzir o assassinato dentro dos dez mandamentos, em que um deles é ‘não matarás’”, comparou Marina. 

Na reta final do primeiro turno, Molon pediu que os eleitores “votem com consciência”. “No primeiro turno, é voto. No segundo turno, é veto. No primeiro turno, você vota em quem você quer. No segundo turno, você veta quem você não quer. Neste momento, é muito importante que as pessoas votem em quem consideram o melhor ”, afirmou o candidato, no momento em que os adversários que estão embolados no segundo lugar das pesquisas apelam para o “voto útil”, na expectativa de disputarem o segundo turno com o líder das pesquisas, Marcelo Crivella, do PRB.

Logo no início da caminhada, Marina foi saudada por José Tomás da Silva, de 74 anos, morador de Madureira. “Te conheço da TV”, disse. “Em 2014, votei nela e depois na Dilma. Para prefeito, não tenho candidato. Vou votar na Marina quando ela se candidatar de novo”, afirmou o eleitor desencantado. “Ela é muito simples”, elogiou Odete Costa Araújo, caixa de supermercado já aposentada, de 67 anos. Foi apresentada a Molon, recebeu o panfleto, mas disse ainda estar em dúvida. “Gosto do Crivella. Vamos ver”, disse Odete depois da passagem do candidato. 

Durante o corpo-a-corpo, a vereadora Verônica Costa, conhecida na periferia como Mãe Loura, do PMDB, passou em um carro aberto, pedindo votos para a reeleição. “Oi, Molon, estou torcendo”, gritou para o candidato. Molon sorriu, acenou, e continuou a busca por votos ao lado de Marina. 

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