Carlos Casaes/Divulgação/Ascom Rui Costa
Carlos Casaes/Divulgação/Ascom Rui Costa

Em busca dos votos de Lula no Nordeste, Haddad visita Bahia e pede 'vitória expressiva'

Presidenciável segue a tática do PT nas eleições 2018 de tentar transferir votos lulistas para sua candidatura

Yuri Silva , O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2018 | 13h46

SALVADOR -  Em visita a Vitória da Conquista (BA), terceiro maior colégio eleitoral da Bahia, o candidato à Presidência da República pelo PT, Fernando Haddad, pediu aos eleitores baianos "uma vitória expressiva" nas eleições 2018, durante discurso na manhã desta quinta-feira. A fala de de Haddad segue o curso da estratégia do PT, que tenta garantir no Nordeste uma porcentagem elevada de transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela a Operação Lava Jato, para o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação de Lula. 

Haddad disputa a hegemonia eleitoral da região, onde estão centrados os votos lulistas, com o candidato do PDT e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, e tem explorado em seus discursos o "legado" do ex-presidente petista no Nordeste, com o objetivo de avançar nas pesquisas eleitorais.

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No corpo a corpo com os eleitores baianos, por exemplo, a orientação de auxiliares de Haddad era de que o ele explorasse as realizações dos governos do PT na região, como criação de novas universidades, construção de ferrovias e investimentos em obras de aeroportos. "Temos muitas coisas que foram feitas nos nossos governos pelo interior da Bahia e que serão mostradas", afirmou o coordenador da agenda do candidato no Nordeste e ex-presidente do PT da Bahia, Jonas Paulo.

Neste sábado, de cima de uma caminhonete, Haddad seguiu o roteiro, evocando o legado de seu padrinho político. Dizendo que "eles já devem ter percebido que prenderam o cara errado", Haddad afirmou que Lula venceria as eleições deste ano no primeiro turno se não tivesse tido a candidatura indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"O Lula pode estar preso, mas as ideias dele não, a militância dele não", disse o candidato do PT, ao lado de sua vice, Manuela D'Ávila (PCdoB), da mulher dele, Ana Estela, do governador da Bahia e candidato à reeleição, Rui Costa (PT), e do ex-ministro e ex-governador baiano Jaques Wagner (PT), candidato ao Senado pelo Estado.

Anteriormente cogitado como eventual substituto de Lula, Wagner era o nome preferido do ex-presidente e do ex-ministro José Dirceu para  assumir a corrida presidencial, mas não aceitou o posto por considerar que o PT não deveria lançar candidatura própria à Presidência, mas apoiar um nome de outro partido para a disputa.

No discurso que fez, contudo, Haddad e elogiou o ex-governador baiano. "Nós temos três semanas para ganhar essa eleição e estamos aqui na Bahia com o maior especialista em vitória eleitoral, que é o Jaques Wagner. Ganhou uma, ganhou duas, ganhou três e vai ganhar a quarta eleição (na Bahia) com o Rui Costa", disse o presidenciável, afirmando que "no dia 7 de outubro, a Bahia vai dizer que o 'golpe' acabou". "Nós precisamos sair daqui com uma vitória expressiva, nós precisamos dar uma resposta e derrotar o 'golpe'", afirmou Haddad.

De de Vitória da Conquista, o candidato à Presidência do PT segue para Jequié, cidade vizinha, onde também participa de agenda ao lado dos correligionários baianos. Depois, retornará a São Paulo para gravar programa eleitoral. 

Incompatibilidade de agendas

A coordenação da campanha do presidenciável petista decidiu suprimir Salvador da agenda por causa de uma incompatibilidade com a agenda de Rui Costa. Uma atividade conjunta com Haddad na capital baiana exigiria que o governador da Bahia revisse compromissos no domingo, quando ele pretende visitar pelo menos sete cidades do interior baiano.

Na busca pelos votos lulistas, uma nova visita de Haddad à capital baiana está prevista para a reta final da campanha, de acordo com Jonas Paulo, responsável pela agenda no Nordeste.

Haddad já participou de agenda eleitoral em  Salvador no dia 21 de agosto, mas na condição de candidato a vice, antes da candidatura de Lula ser impugnada. Na ocasião, a assoaciação entre ele e o ex-presidente já estava em curso, e o PT já apelava para o lema "vote no 13", tática que se intensificou. "Esse aqui é o Lula, rapaz", declarou Haddad ao Estado naquele dia.

 

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