Em busca de 'renovação', PSDB ataca Lula e Dilma

No Rio, FHC diz que Lula 'deformou o que foi feito'; Aécio critica 'governo de salamaleques'

LUCIANA NUNES LEAL / RIO, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2011 | 03h06

Reunidos para discutir "a agenda dos próximos vinte anos" e a "renovação" do partido, políticos e teóricos do PSDB fizeram ontem um coro de duríssimas críticas aos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Grande homenageado do encontro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso rejeitou a tese de que Lula deu continuidade às políticas de seu governo. "O governo do presidente Lula deformou o que foi feito antes. O programa que eles tinham era uma corrida para o abismo. Pegaram o nosso e executaram mal", discursou Fernando Henrique, aplaudido de pé.

O ex-presidente foi encarregado de encerrar o seminário, que teve clima de reencontro, com antigos colaboradores do governo FHC, como o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, os ex-presidentes do Banco Central Armínio Fraga e Gustavo Franco e os "pais" do Plano Real Edmar Bacha e Pérsio Arida. Os políticos, por sua vez, se esforçaram para minimizar as brigas internas e insistir que "divergir não é negativo", como disse o presidente do partido, Sérgio Guerra (PE).

O ex-governador José Serra e o senador e ex-governador Aécio Neves (MG) chamaram atenção para as denúncias de corrupção que envolvem o primeiro escalão do governo Dilma e atacaram o loteamento de cargos entre os aliados. Serra disse que os adversários são "viciados na mesquinharia política". "Este é um governo de factoides e salamaleques", atacou. Aécio recorreu a uma expressão usada pela presidente: "O malfeito para este governo só é malfeito quando vira escândalo. Até lá, é bem feito. O governo age reativamente".

Depois das últimas campanhas presidenciais, em que o PSDB evitou destacar feitos do governo FHC, como privatizações e reformas, o convite a alguns destacados auxiliares do ex-presidente soou como tentativa de reorganizar o discurso tucano. "O papel do PSDB foi estruturar tudo o que se desenvolveu depois, menos os desvios de conduta", disse Sérgio Guerra. FHC respondeu às críticas de que os tucanos cobram medidas que poderiam ter adotado quando no poder: "Não se fez antes porque as condições eram outras. Hoje temos como baixar juros sem gerar inflação."

Autor de duras críticas ao comando do PSDB, o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) não foi ao encontro, que reuniu no Rio os governadores Geraldo Alckmin e Antonio Anastasia e muitos parlamentares. Ao contrário de Aécio, que acompanhou de perto a organização do seminário, a cargo da economista Elena Landau, Serra apareceu de surpresa - ele estava em Londres e desembarcou no Rio de madrugada. Para não criar atritos entre os aliados de Aécio e de Serra, possíveis candidatos à Presidência em 2014, foram abertos espaços para que os dois falassem. Foi Aécio quem chamou o "companheiro José Serra" ao palco. FHC fez questão de prestigiar o ex-governador paulista: "O Serra fez o meu discurso. Eu é que deveria ter ido a Londres", brincou.

Na tentativa de fazer do encontro um ponto de partida para uma nova fase, Fernando Henrique estimulou os companheiros a deixarem claras as posições do partido. "O PSDB ou fala ou morre", advertiu. "Começamos a falar com uma nova voz, a voz dos que querem vencer. O Brasil precisa da nossa vitória. Não somos o partido do clientelismo, da corrupção", disse.

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