Em ato do PT, aliados reforçam que Dilma é a candidata e atacam Aécio

O PT usou o evento em que deu inicio às discussões sobre os dez anos do partido no Poder para atacar a oposição e afirmar a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição. Os petistas começaram a ensaiar o discurso que será usado pelo partido na campanha de 2014 e dispararam contra o senador Aécio Neves (PSDB) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ambos fizeram ao PT como contraponto às comemorações do partido.

O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h08

Dilma foi tão ovacionada quanto Lula em sua chegada ao palco. O ato contou com a presença de petistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal no caso do mensalão que, embora tietados, não haviam recebido nenhum desagravo até a conclusão desta edição (mais informações na pág.A6).

Ontem, Aécio foi à tribuna do Senado e proferiu um discurso destacando 13 pontos (o número do PT) de "fracasso" da gestão petista - da seca no Nordeste ao setor elétrico, passando pela gestão da Petrobrás e o sistema educacional. Fernando Henrique postou anteontem um vídeo na internet no qual classifica como "picuinha" e "coisa de criança" as comparações feitas pelos petistas com o seu governo.

O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), afirmou que uma eventual candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é tema que "não está em debate", e afirmou, como fizera na véspera o presidente do PT, Rui Falcão, a candidatura de Dilma à reeleição. "A Dilma é a candidata do Lula e de todos nós do PT. Hoje, a petista mais credenciada a liderar o PT em 2014 na disputa pela Presidência é a presidenta Dilma."

O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), afirmou em seu discurso que o partido "apoia e apoiará esse governo", e elencou uma série de realizações dos dez aos dos governos petistas. A principal figura do PMDB, o vice-presidente da República, Michel Temer, não participou da festa. Uma ala do PT defende a tentativa de demover Temer da ideia de continuar na vice para cedê-la a governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que ameaça um voo solo em 2014. Campos foi a ausência mais sentida no evento petista. Ele preferiu ficar no Estado e comparecer à missa de 7.ºdia do ex-ministro Fernando Lyra.

Até o fechamento desta edição, nem Dilma e nem Lula haviam discursado no evento. Anteontem, Dilma entoou um discurso de candidata no anúncio do fim da miséria cadastrada no Brasil, que deve ser uma de suas principais plataformas eleitorais em 2014.

Os petistas afirmaram que os tucanos não podem interditar comparações entre a década do PT no Poder e a Era FHC.

"O que não pode acontecer é a oposição de algum modo querer impedir que o PT celebre uma década de governo democrático e popular, fazendo aquilo que a política espera que um partido no poder faça: mostrar o que fez e comparar o seu programa de governo executado com aquilo que nossos adversários fizeram", afirmou Déda.

"Um dos elementos básicos da democracia é o contraditório. Não podemos comprar o governo com um governo do século XX. Precisamos comparar com aquele que encontramos quando o presidente Lula foi eleito em 2002."

O presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, responsável pela elaboração da cartilha que compara as gestões do PT e do PSDB, ironizou FHC, que referiu-se ao texto como "coisa de criança". "(O documento) Foi feito por gente adulta, gente estudiosa, gente que está transformando o Brasil e que identifica que o povo é o protagonista dessas mudanças. As crianças fazem parte também, mas não só as crianças", disse ele.

O evento de ontem foi produzido e coordenado pelo manqueteio oficial do PT, João Santana. Ele criou o slogan e o jingle que marcam as comemorações dos dez anos de gestão dos petistas no Executivo federal. O lema oficial é "do povo, para o povo, pelo povo". / FERNANDO GALLO e JULIA DUAILIBI

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