Leonardo Benassatto/Reuters
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Em artigo no NY Times, Lula critica prisão e ataca Moro

Artigo é publicado um dia antes do encerramento do prazo previsto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o registro das candidaturas que irão disputar essas eleições gerais no País

O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2018 | 10h39

Em artigo publicado no espaço de opinião do jornal americano The New York Times nesta terça-feira, 14, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado pela Lava Jato a 12 anos e 1 mês em regime fechado, disse que a “extrema direita” estaria tentando tirá-lo da disputa das eleições 2018. O ex-presidente ainda ataca o juiz Sérgio Moro e o governo do presidente Michel Temer. Lula está inelegível pelas regras da “Lei da Ficha Limpa”, que impede condenações em 2ª instância disputarem cargos públicos. 

O artigo é publicado um dia antes do encerramento do prazo previsto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o registro das candidaturas para as eleições 2018. Por ter sido condenado em Segunda instância por um órgão colegiado da Justiça, o TRF-4, Lula está impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa.

O ex-presidente exaltou programas de seu governo, voltou a dizer que o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff foi um golpe e que sua condenação foi baseada “somente” no testemunho de uma pessoa.

Durante o julgamento do ex-presidente no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), os desembargadores da 8ª Turma da Corte aceitaram as provas apresentadas contra Lula como documentos sobre a aquisição de apartamento por ele e pela ex-primeira-dama Marisa Letícia (morta em fevereiro de 2016, vítima de um AVC) no então Residencial Mar Cantábrico; documentos da Bancoop – cooperativa ligada ao Sindicado dos Bancários que começou a construir o imóvel; trocas de e-mails de executivos da OAS; e imagens de Lula visitando a unidade.

Ainda no artigo, intitulado “Eu quero democracia, não impunidade”, Lula faz críticas ao presidente Michel Temer (MDB), à regra do Teto dos Gastos e às mudanças feitas pela Reforma Trabalhista. Ele acusa o juiz Sérgio Moro e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato de “aliados” de “forças conservadoras” do País que estariam “destruindo conquistas” de gestões petistas.

“Moro tem sido celebrado pela mídia de direita do Brasil. Ele se tornou intocável. Mas a verdadeira questão não é o Sr. Moro; são aqueles que o elevaram a esse status de intocável: elites de direita, neoliberais, que sempre se opuseram à nossa luta por maior justiça social e igualdade no Brasil”.

No final do texto, ele diz que não está acima da lei e questiona a manutenção da sua prisão. ‘Eu não peço para estar acima da lei, mas um julgamento deve ser justo e imparcial. Essas forças de direita me condenaram, me prenderam, ignoraram a esmagadora evidência de minha inocência e me negaram Habeas Corpus apenas para tentar me impedir de concorrer à presidência. Eu peço respeito pela democracia. Se eles querem me derrotar de verdade, façam nas eleições”.

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