Eliana Calmon critica falta de segurança para juízes

Antes de deixar o cargo, corregedora lamentou decisão de adiar decisão sobre suposta omissão no caso de Patrícia Acioli

MARIÂNGELA GALLUCCI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2012 | 03h10

Um dia antes de deixar o cargo de corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon disse ontem que é "sabida" e "velha" e já esperava a decisão tomada na véspera pelo Conselho Nacional de Justiça de adiar o julgamento de um pedido para apurar a suposta omissão do ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio Luiz Zveiter em conceder escolta à juíza Patrícia Acioli, assassinada no ano passado.

"Tenho 34 anos de magistratura e eu sou sabida. Sou sabida porque sou velha. Não porque nasci sabida", disse ela, que tem 67 anos. Na véspera, Eliana havia proposto ao CNJ que julgasse um pedido de providências feito pela família de Patrícia Acioli com o objetivo de apurar a suposta omissão de Zveiter no caso. No entanto, a decisão foi adiada a pedido do advogado do desembargador, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

Segundo a ministra, a segurança fornecida pelos tribunais brasileiros aos juízes é deficiente, diferentemente do que ocorre com desembargadores. "Acho que é muita segurança para os desembargadores. E os juízes ficam à deriva", comentou.

Ela contou que em alguns tribunais policiais militares foram desviados da função de segurança para "dirigir carro para desembargador e até para familiares". Para Eliana, o mais importante para garantir a segurança dos juízes é o serviço de inteligência. "Todos os atentados que aconteceram, o serviço de inteligência acusou. No caso da Patrícia Acioli, desde 2009 a inteligência da PF já avisava que ela estava jurada de morte. Não acreditaram."

A corregedora afirmou que a falta de apoio do tribunal é significativa para o crime organizado. "O crime organizado não vai contra o juiz que tem o apoio total da cúpula do Poder Judiciário."

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