Nilton Fukuda/ Estadão
Nilton Fukuda/ Estadão

Eleitores de Haddad criticam violência

Grupo diz que vai votar contra o ‘discurso de ódio’

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2018 | 16h56

A publicitária Ana Carolina Macedo, de 28 anos, confessa ser difícil ter empatia por quem vota em Bolsonaro. “Não consigo ter um relacionamento muito próximo com ‘bolsominions’. Não dá match.” Ela admite que só fala sobre política com pessoas de sua própria bolha e amigos. “Eu não sei como iniciar um debate com quem fala que o Brasil vai virar uma Venezuela se o PT ganhar. É tão absurdo que não tem nem como rebater.” 

A reportagem do Estado encontrou Ana Carolina e outros três eleitores de Fernando Haddad (PT): os também formados em publicidade Thiago Guimarães, de 32 anos, Dandara de Carvalho, de 26, e Mariella Nascimento, de 27. A conversa aconteceu em um lugar definido por eles: um bar no bairro Santa Cecília, no centro de São Paulo.

Os amigos haddadistas dizem que o apoio ao candidato petista é um voto “em favor da democracia e contra o discurso do ódio”. Embora afirmem que nem todo eleitor de Bolsonaro “seja fascista”, eles atribuem à postura do candidato do PSL uma onda de violência nas eleições. “Existe agora o medo de apanhar na rua”, disse Thiago Guimarães. “E o kit gay que o Bolsonaro tanto fala? Eu não recebi.”

Nada irrita mais Guimarães do que os ataques sistemáticos ao PT. “O antipetismo é bizarro”, afirmou. “Muita gente, muito empresário ganhou dinheiro no governo do PT e agora vêm com esse papo de Venezuela”, completou. Para ele, o partido lançou luz sobre a corrupção existente e deixou a Polícia Federal investigar como nenhum outro partido fez. 

Para Mariella Nascimento e Dandara de Carvalho, o brasileiro é “preguiçoso” para discutir política – e isso fez com que Bolsonaro crescesse. “Os bolsonaristas dominam melhor as ferramentas de internet. Jogam esse jogo melhor. Eles atuam de forma muito forte e até a exaustão”, disse Mariella.

Os eleitores do Haddad também consideram o discurso sobre segurança pública e violência repetido por Bolsonaro algo “fácil” e sem profundidade. “Falar que vai acabar com a bandidagem não é plano de governo”, afirmou Ana Carolina. 

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