Eleitor personalizado faz toda a diferença

Celso Russomanno não está onde está à toa. Quando um eleitor faz uma pergunta que, por sorteio, será respondida por ele, lá vai o bem treinado candidato televisivo à premissa básica: "Como é mesmo o nome dele?" Informado, o candidato do PRB responde nominalmente ao rapaz. Já Paulinho da Força, em sua enésima eleição, apressa-se em reagir à última resposta de Russomanno antes de honrar a pergunta de um outro eleitor, a quem nem sequer faz referência. Responder ao eleitor chamando-o pelo nome contempla não apenas o próprio eleitor, mas personaliza todos os anônimos que ali se sentem representados pela atenção aparentemente particular dedicada pelo candidato àquele a quem outros candidatos normalmente tratam apenas como "mais um".

O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2012 | 03h01

É claro que não basta falar direitinho na televisão para cativar o telespectador. Fosse só isso, Soninha estaria colada a Russomanno nas pesquisas de intenção de voto. Mas é latente que a maneira como Russomanno se refere aos eleitores e aos adversários, serena e humildemente, só conspira a favor de sua posição na liderança das pesquisas.

Fernando Haddad voltou a tropeçar, ainda que ligeiramente, em linguagem obtusa. Falou em "reforma política" e "orçamento" ao ser questionado por outro eleitor sobre quem financia sua campanha. O papo, como se diz no funk, tem de ser reto. Na categoria estreante em debate eleitoral, não duvide: a melhor performance é de Gabriel Chalita.

E, se chama eleitor anônimo pelo nome, Russomanno continua a se referir a Serra como "José". Nada de emprestar sua voz ao nome pelo qual seu maior adversário é conhecido. Ao ser chamado por Mario Sergio Conti como Celso "Romano", Russomanno prontamente corrige o mediador: "Russomanno, obrigado". Num confronto norteado pela mais democrática plataforma de comunicação, a internet, dar nome aos interlocutores não é pouca coisa. O debate de ontem na TV Cultura, em parceria com Estadão e YouTube, avançou como nenhum outro da TV brasileira na arte de aproveitar os recursos de uma banda larga ao alcance da massa. E hangout, como disseram no Twitter, pode até virar tema de samba-enredo no próximo carnaval.

Até as 22h40, segundo dados preliminares do Ibope, a TV Cultura somava 1,5 de audiência e se posicionava em 4.º lugar no ranking da TV aberta, à frente da Band. Cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo.

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