Eleições no Rio registram poucos incidentes

Não houve tumulto nas seções e a média de duração do voto não passou de um minuto

Sílvio Barsetti, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2008 | 21h08

A eleição no Rio transcorreu em clima de tranqüilidade em quase todo o Estado, com o registro de poucos incidentes. Os 4.800 homens do Exército e da Marinha que ocuparam neste domingo, 5, as 27 áreas consideradas de risco pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) não tiveram muito trabalho. Não houve tumulto nas seções e os eleitores, em geral, não levaram mais de um minuto nas cabines.   Veja Também: Especial: Perfil dos candidatos  Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos  Ibope: Veja números das últimas pesquisas  Confira as imagens da votação pelo Brasil      Um caso grave, exceção durante todo o dia, ocorreu na Favela Nelson Mandela, na zona norte do Rio. Supostos traficantes e policiais militares trocaram tiros à tarde, no instante em que algumas pessoas se dirigiam para votar num colégio próximo. Em pânico, elas buscaram abrigo numa igreja ou deitando-se no chão. De acordo com a PM, uma mulher morreu e duas pessoas ficaram feridas - as vítimas seriam moradores da favela.   No Complexo do Alemão, onde mais de 4 mil militares das Forças Armadas permaneceram entre quarta e sexta-feira, somente 300 homens foram mantidos nas proximidades de cinco dos seis colégios eleitorais na localidade, também na zona norte. As vias de acesso à Favela da Grota, uma das mais perigosas do complexo, estavam tomadas por grupos de moradores em campanha para seus candidatos. Eles confraternizavam num churrasco ao ar livre, com muita bebida e som alto.   Soldados do Exército prenderam dois rapazes por desacato e outro, por agressão, na Cidade de Deus, favela famosa da zona oeste por histórias de violência. Eles faziam boca-de-urna. O mais agitado não gostou da advertência dos militares e teria desferido um soco em um deles. Na confusão, levou um tiro de bala de borracha na barriga. Foi levado para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra, sem risco de morte. Após a briga, cerca de 100 moradores da Cidade de Deus iniciaram uma manifestação na maior praça da favela e chegaram a lançar fogos de artifício contra os militares. Mas, depois de alguns minutos de negociação, o problema acabou contornado.   Na Rocinha, zona sul, favela em que o candidato a vereador Claudinho da Academia (PSDC) foi acusado de montar um curral eleitoral com o aval do tráfico de drogas da região, fiscais do TRE detiveram um cabo eleitoral que distribuía panfletos de Claudinho. Dois fotógrafos que cobriam a movimentação na Rocinha pela manhã foram obrigados a se retirar do local - um deles recebeu a ordem de um grupo armado. Os profissionais trabalhavam longe dos militares federais que se concentravam no entorno das duas principais seções eleitorais da favela - o Ciep Ayrton Senna e a quadra da escola de samba Acadêmicos da Rocinha.   Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, mais de cem pessoas foram detidas por fazer boca-de-urna e liberadas no final da tarde. Na mesma cidade, a Polícia Militar prendeu três homens acusados de comprar votos por R$ 50.

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