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Cláudio Couto
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Eleições e eleições

O primeiro turno das eleições mostrou, novamente, que as disputas estaduais e a federal correm em raias próprias e os eleitores fazem escolhas distintas nas duas situações. Nos mesmos Estados, eleitores decidem independentemente sobre como votar para governador e presidente, dividindo suas escolhas e mostrando que a capacidade dos caciques de controlar o eleitorado simplesmente não existe. O que há, claro, é uma capacidade diferencial de ofertar aos cidadãos alternativas mais ou menos atraentes, ou torná-las mais ou menos interessantes, a depender da competência política e dos recursos de que dispõe cada contendor.

Cláudio Couto, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2014 | 23h57

Exemplos notáveis disso foram os desempenhos de Aécio Neves e seus candidatos em Minas, seu território natal. Embora superando com folga Marina Silva, não esmagou Dilma Rousseff. O resultado medíocre dos tucanos diante do PT no Estado repetiu o que já ocorrera no passado, quando Aécio ainda era governador, nos embates de Geraldo Alckmin e José Serra contra seus oponentes petistas – Lula e Dilma.

Nas duas ocasiões, não faltaram queixas dos tucanos paulistas contra o que teria sido o pouco empenho de Aécio em convencer o eleitorado mineiro da necessidade de votar em seus correligionários na disputa presidencial. Esse suposto desleixo seria a causa da derrota tucana por ali e resultado da tentativa de Aécio minar seus adversários intrapartidários, visando ele próprio eleger-se em um momento posterior.

Ora, vendo o que aconteceu dessa vez, será que faria algum sentido imaginar que Aécio também não se empenhou para obter ele próprio os votos mineiros, para si e para seu candidato ao governo?

A explicação certamente é outra: o eleitor faz suas próprias escolhas, por mais que a propaganda, a máquina ou mesmo a popularidade de um líder procurem convencê-lo do contrário.

Por isso, o mesmo eleitor mineiro que derrotou Aécio e Pimenta da Veiga no primeiro turno consagrou o candidato tucano ao Senado – Antonio Anastasia – com uma votação que, se fosse para governador, seria suficiente para elegê-lo sem a necessidade de um segundo escrutínio. E o eleitor paulista, que já dera a vitória a Serra e Alckmin nas duas contendas anteriores, votou a sagrar como vitorioso um candidato do PSDB. Terá isso acontecido graças ao denodado empenho de seus caciques bandeirantes? Claro que não.

Essa independência do eleitor nas suas escolhas se manifesta também no plano federativo, razão pela qual não é possível deduzir dos resultados eleitorais em um Estado o voto para as eleições presidenciais, e vice-versa. Claro que isso não implica desconhecer que em determinados Estados as preferências partidárias possam pender mais para um lado, ou para o outro, e que isso se reflita nos dois níveis de disputa eleitoral.

Desse modo, é a preferência pró-tucana (e antipetista) da maioria dos paulistas que proporciona a longa série de governadores do PSDB, bem como as seguidas derrotas de candidatos presidenciais do PT no Estado – situação que agora se repete. Também no Rio Grande do Sul é possível notar uma polarização que em muito se assemelha à nacional, com petistas e antipetistas periodicamente se conflagrando.

Esse cenário, contudo, não está presente em todos os Estados. É o que fica evidenciado no Paraná, onde o desempenho do PT na eleição presidencial é bem melhor do que na estadual, acontecendo o inverso com o PSDB.

O Rio, que vem seguidamente premiando os candidatos petistas à presidência, relegou desta feita à lanterninha o postulante do partido ao governo estadual.

Salvo as exceções de praxe, o mesmo eleitorado arisco às manipulações dos caciques premiará ou punirá partidos e governos de acordo com a avaliação que faz deles, em seu âmbito de atuação, pelo desempenho passado. Assim, oponentes sanguinários igualmente bem avaliados no Estado e na União serão recompensados; aliados fiéis bem avaliados em um plano, mas mal no outro, receberão, em cada um, o que merecem. 

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