Eleição nas capitais favorece Lula como cabo eleitoral em 2010

A julgar pelas pesquisas de intençãode voto da eleição municipal, o presidente Luiz Inácio Lula daSilva terá uma base consistente nas capitais para alavancar suasucessão em 2010. Faltando 13 dias para o primeiro turno, as sondagensindicam situação favorável aos candidatos do PT e dos demaispartidos da aliança governista. Das 26 capitais, as pesquisas apontam vitória de legendasgovernistas em 20 delas. No total, essas cidades reúnem 23,9milhões de eleitores, enquanto as capitais em que a oposiçãopode vencer têm 5,5 milhões, pelos dados do Tribunal SuperiorEleitoral (TSE). "A população começa a compreender o projeto do governoLula, que não é fruto apenas da figura carismática do Lula, masvem da militância, que tem abordagem social. Não é só tirarfoto com Lula, há petistas com ele", disse o deputado MaurícioRands (PE), líder do PT na Câmara. A correlação de forças será importante em 2010, diz odeputado, principalmente porque o PT não terá mais acandidatura de um líder carismático como Lula, cujo governo temaprovação na casa de 60 por cento. "Então vai depender de umprograma de governo, e, se as capitais estão sintonizadas, émais fácil a vitória", disse Rands. O PT, que deve crescer 30 por cento nessas eleições, nocálculo do deputado, tem sete candidatos líderes nas pesquisasde intenção de voto em capitais brasileiras, algumas de amplarelevância estratégica como São Paulo, em que Marta Suplicyestará no segundo turno e tem atualmente vantagem de mais dedez pontos sobre seus concorrentes diretos. Em Porto Alegre, qualquer que seja o resultado seráfavorável a Lula. Até agora, a vantagem é do prefeito ecandidato José Fogaça, que mesmo sem ser totalmente alinhadocom o presidente, é de partido da base, o PMDB. No segundoturno, ele deve enfrentar Maria do Rosário (PT) ou ManuelaD'Ávila (PCdoB). As demais capitais em que o PT lidera são Fortaleza, Recife, Vitória, Palmas, Porto Velho e Rio Branco. Logo atrás vem o PMDB, partido que acompanha o governo, masem que não há uma unanimidade neste sentido. Candidatos dalegenda estão à frente nas sondagens no Rio de Janeiro, PortoAlegre, Goiânia, Campo Grande e Florianópolis. O PSB, partido do candidato que uniu os rivais PT e PSDB emtorno do mesmo projeto em Belo Horizonte, está em vantagem emmais três capitais: João Pessoa, Boa Vista e Macapá. Outras legendas governistas aparecem com apenas umcandidato com vantagem nas pesquisas, caso do PCdoB (Aracaju),PP (Maceió), PV (Natal) e PTB (Manaus). O PT admite as diferenças entre os partidos da base, masaposta na união em 2010. "Muitas legendas não têm a mesmaidentidade programática como o PT, PCdoB e PSB, mas espero quena sucessão estejam junto conosco", disse Rands. Carlos Ranulfo, cientista político da Universidade Federalde Minas Gerais (UFMG), faz um alerta para a possibilidade deos partidos se separarem daqui a dois anos. São 15 legendas nototal, sendo 9 grandes. "Depende de quem vai apoiar o Lula. A base pode não ficarunida, pode se desconstituir até lá. O Lula unifica, mas nenhumoutro candidato unifica esses 9 partidos", acredita Ranulfo. Ele destaca apenas o resultado da eleição de São Paulo. SeMarta conseguir derrotar os tucanos e o prefeito GilbertoKassab (DEM), candidato do governador José Serra (PSDB), seráuma forte sinalização para a sucessão de Lula, uma vez queSerra é potencial candidato à Presidência. Para Manoel Dias, secretário-geral do PDT, outro partido dabase, há ampliação da presença das siglas menores nas eleiçõesmunicipais como plataforma para a disputa presidencial. "Estamos olhando, sim, para 2010. Por isso, saímos comcerca de 23 mil candidatos a vereadores e quase mil a prefeito.Somando com os candidatos do PSB e do PCdoB, chegamos perto dosnúmeros do PMDB, que é o partido com maior capilaridade noBrasil", afirmou o dirigente.

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