Eleição na OAB vive clima de mensalão

Advogado de João Paulo Cunha polariza disputa com candidato de D'Úrso, atual presidente e vice na chapa de Celso Russomanno (PRB)

BRUNO LUPION, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2012 | 03h07

O julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a disputa pela Prefeitura de São Paulo desembarcaram com força na eleição para presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, que ocorre em novembro. A entidade tem 280 mil advogados ativos e orçamento anual de R$ 233 milhões.

Alberto Toron, advogado de defesa do deputado federal José Paulo Cunha (PT-SP) no escândalo do mensalão e um dos candidatos da oposição, foi acusado por e-mails apócrifos de usar o julgamento no Supremo Tribunal Federal para aparecer na mídia e fortalecer sua candidatura. O caso foi parar na Delegacia de Repressão a Crimes Virtuais do Deic, que apura a origem dos ataques.

O candidato da situação, Marcos da Costa, se tornou presidente em exercício da entidade há quatro meses, quando o criminalista Luis Flávio Borges D'Urso, filiado ao PTB, renunciou para se candidatar a vice-prefeito na chapa de Celso Russomanno (PRB). Costa carrega nos ombros a acusação de que D´Urso, teria usado a entidade como trampolim político.

D'Urso está há nove anos à frente da OAB-SP, após duas reeleições seguidas, e diz que retornará em novembro para terminar seu mandato, "independentemente do resultado"do pleito municipal.

Oposição. Dos cinco pré-candidatos habilitados para a disputa, quatro afirmam ser de oposição e criticam a falta de transparência na gestão dos recursos da entidade, bem como a falta de democracia interna.

"A Ordem foi literalmente usada para a promoção da imagem pessoal, não há um jornal da entidade que não venha com a foto do presidente na capa", dispara Alberto Toron. Ele rompeu com o grupo de D'Urso em 2009 e desde então vem pavimentando sua candidatura.

"Isso é uma grande bobagem", reage D'Urso. "Não conheço na historia alguém que usa uma entidade por dez anos para fazer trampolim político", diz. Ele afirma que deixou o cargo no tempo previsto pela lei e que o convite que recebeu para se candidatar a vice do candidato a prefeito Celso Russomanno, do PRB, representa a abertura de um maior espaço de atuação "para nossos colegas da OAB".

O presidente do PTB, Campos Machado, chegou a sugerir a candidatura de D´Urso para prefeito, mas foi atraído para a coligação em torno de Russomanno.

Situação. O candidato de situação, Marcos da Costa, defende o atual presidente dos ataques. "Pegamos a OAB com patrimônio negativo de R$ 40 milhões em 2003 e agora o salto é positivo de R$ 70 milhões", afirma.

Os candidatos de oposição avaliam que a OAB-SP não acompanhou os avanços do País nos quesitos transparência e democracia. Toron aponta que a entidade estaria tomada pelo "clientelismo", no qual os presidentes das subseções do interior seriam forçados a apoiar a atual gestão em troca de verbas para reformas e projetos locais. "Os presidentes no interior vivem com o pires na mão", afirma. "É como na ditadura, quando os partidos eram apenas a Arena e o MDB, e quem fosse do MDB não tinha verba para investir".

Marcos da Costa rebate as acusações e diz que o site da entidade mostra todas as informações sobre o orçamento da entidade. "Nós acabamos com o coronelismo na OAB, que agora apoia o Toron".

Os outros candidatos são Rosana Chiavassa, Ricardo Sayeg e Roberto Podval.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.