Filipe Araujo/Estadão
Filipe Araujo/Estadão

Eleição mostrará se partido ainda importa no Brasil, diz analista

Humberto Dantas, da FGV, entende que intenções de voto em Jair Bolsonaro e Marina Silva refletem incerteza do brasileiro em relação às legendas

Guilherme Sette, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2018 | 19h32

SÃO PAULO - A preferência na recente pesquisa eleitoral da CNT/MDA por Jair Bolsonaro (PSL)com 18,3% dos votos, seguido de Marina Silva (Rede), com 11,2%, reflete a incerteza do brasileiro em relação a partidos políticos, avalia Humberto Dantas, cientista político e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas.

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"Quando começar a campanha, a estrutura partidária vai contar? Essa é a grande pergunta. Será que o apoio de prefeitos, de deputados, fundo eleitoral, fundo partidário e tempo de televisão não farão diferença? Um segundo turno com Marina e Bolsonaro mostraria que partido político não importa mais", afirmou Dantas, que também é consultor da 4E, ao avaliar o desempenho de pré-candidatos como Ciro Gomes (PDT), que tem 9% das intenções de voto, e Geraldo Alckmin (PSDB), com 5,3%.

As intenções de voto ocorrem num cenário sem o presidente Lula, com brancos, nulos e indecisos somando 45,7%. Num cenário com o petista, sua candidatura lidera com 32,4%, seguido de Bolsonaro com 16,7%, Marina com 7,6%, Ciro com 5,4%, Alckmin com 4,0% e brancos, nulos e indecisos totalizando 26,7%.

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Dantas afirma também que o cenário mais incerto é uma eleição com o bloco de centro-direita desunido e Lula não candidato, justamente o que se apresenta atualmente. "A pergunta está relacionada ao eleitor do Lula: ele está esperando o apoio dele para alguém ou vota exclusivamente nele? Se for o segundo caso, esse eleitor o PT já perdeu", avalia.

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Em relação às baixas intenções de Alckmin, Dantas atribui o fraco desempenho nas pesquisas ao desgaste do PSDB desde o processo de impeachment de Dilma Rousseff. "Há a associação entre o partido e o atual governo, por causa da participação deles no impeachment, além da figura do Aécio Neves, muito desgastado e que ninguém consegue explicar direito. O fato do Alckmin ter deixado no Governo do Estado de São Paulo um candidato de outro partido (Márcio França, do PSB), para disputar com outro do próprio partido (João Dória, do PSDB), também mina a sua base eleitoral", analisa. 

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