Eleição mais barata custa R$ 2,81 por voto

Balanço divulgado pelo TSE mostra que cofres públicos gastaram o menor valor por eleitor desde 1996

MARIANGELA GALLUCCI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h02

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia Antunes Rocha, anunciou ontem que a eleição municipal deste ano teve o menor custo por voto desde 1996, quando começou a funcionar no País o sistema eletrônico de votação.

Conforme dados do tribunal, divulgados por Cármen Lúcia em entrevista ao fim de um encontro com presidentes de Tribunais Regionais Eleitorais, a eleição de 2012 custou R$ 395.270.694 para os cofres públicos - ou R$ 2,81 por eleitor. Esse valor é 27% inferior ao de 2010, quando o custo chegou a R$ 3,86. Em 2000, o custo do voto foi de R$ 4,45 e em 2002 de R$ 4,82, em valores atualizados pelo IPCA. O cálculo não leva em consideração a isenção fiscal dada às emissoras de TV por causa da transmissão do horário eleitoral - um dos principais gastos de dinheiro público durante a eleição.

Cármen Lúcia atribui a queda nos custos a fatores como melhorias no planejamento e diminuição dos gastos com o envio de tropas federais para reforçar a segurança em municípios.

O tribunal autorizou o envio de tropas para garantir a segurança no 1.º turno a 401 cidades. No 2.º turno, só para dois municípios. "Os TREs foram atentos e firmes no sentido de gastar o que era preciso gastar. Enxugamos onde poderia haver a instituição de comitês com representantes das polícias estadual, civil e federal. Com isso, o gasto com o envio de tropas reduziu-se quase pela metade." Conforme os números do TSE, R$ 24,2 milhões foram empenhados nas missões de fiscalização e segurança, economia de 42% em relação a 2008 e de 38% em comparação com 2010.

Alta abstenção. A presidente do TSE afirmou ser necessário analisar os fatores que levaram às altas taxas de abstenção este ano. No 1.º turno, o índice de presença foi de 84,59%. No 2.º turno, a proporção baixou para 80,88% - ou seja, um em cada cinco eleitores deixou de votar.

Entre os fatores que podem ter contribuído estão a coincidência da eleição com o feriado do dia do servidor, a entrada em vigor do horário de verão e a falta de atualização de cadastros. Parte dos mais de 5.550 municípios brasileiros já passou pelo recadastramento de eleitores, que votaram por meio do sistema biométrico. De acordo com o TSE, quase 8 milhões de eleitores de 299 cidades foram identificados pelas digitais.

A presidente do TSE deu novos dados sobre a boa receptividade do sistema eleitoral brasileiro fora do País. No 1.º turno, ocorreram 197,2 milhões de acessos à página do tribunal na internet - a partir do Brasil e de mais 167 países. No 1.º turno, quando foram eleitos 5.518 prefeitos e 57.424 vereadores, a apuração foi concluída à 1h48 do dia seguinte à votação. No 2.º turno, com a eleição de mais 50 prefeitos, esse horário limite foi recuado para as 21h51 do próprio domingo.

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