NILTON FUKUDA/ESTADÃO
NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Eleição em SP vai definir relevância de MDB e PSDB

Quem vencer no Estado sairá do pleito governando mais gente do que em 2014; derrota ampliará possível revés presidencial

Adriana Ferraz, Marcelo Godoy e Matheus Lara , O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 05h00

Após três eleições definidas em primeiro turno, a disputa pelo governo de São Paulo deve levar os únicos dois partidos vencedores no Estado, desde a redemocratização, a uma batalha direta, em segundo turno, pelo controle do maior colégio eleitoral do País. E, desta vez, com um ingrediente a mais: com dificuldades no pleito nacional, a expectativa é de que PSDB e MDB cheguem lá fora da corrida presidencial, o que faz a eleição paulista ainda mais decisiva para o futuro das duas legendas.

Caso confirmado nas urnas, o resultado do duelo entre PSDB e MDB em São Paulo vai determinar qual dos dois partidos terá mais influência sobre a população brasileira. As pesquisas de intenção de voto mostram que hoje o MDB elegeria quatro governadores – contra sete, em 2014 – e governaria um total de 63,8 milhões de pessoas, contando os 45 milhões de paulistas. Já o PSDB, se perder o Estado, pode até manter o mesmo total de cinco governos eleitos há quatro anos, mas perderia 37,6 milhões de pessoas sob seu guarda-chuva.

A uma semana da eleição, o tucano João Doria tem 22% das intenções de voto, segundo a mais recente pesquisa Ibope/Estado/TV Globo. Em 2014, o então governador Geraldo Alckmin marcava 51% nessa fase da campanha. Quatro anos antes, Alckmin venceu em primeiro turno, assim como José Serra, em 2006. 

Presidente estadual do partido, Pedro Tobias diz que não há chance de a derrota acontecer, apesar de admitir que neste ano “vai dar segundo turno”. Para o cientista político Kleber Carrilho, da Universidade Metodista, o partido pode não resistir a uma eventual derrota. “Se perder São Paulo, vai ser muito pesado para o PSDB”, diz, em referência ao fato de as principais lideranças tucanas terem feito carreira em São Paulo, como Alckmin, Serra, Mário Covas e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A rejeição de Doria – que deixou a Prefeitura após 15 meses de mandato, contrariando promessa que fez – explica, ao menos em parte, sua posição hoje na preferência dos eleitores. Ela é de 33%, ante 19% de Paulo Skaf (MDB), que tem hoje 24% das intenções de voto – na margem de erro, ambos estão empatados. O atual governador Márcio França (PSB) está crescendo nas pesquisas, mas segue distante dos líderes, com 12%. Nas simulação de segundo turno, Skaf lidera com 39% e Doria tem 31%.

Chance. Após alcançar 21,5% dos votos em 2014, o que lhe garantiu a segunda colocação na eleição passada, o emedebista vive situação diferente. Além de liderar as pesquisas, Skaf tem chances de devolver a seu partido o protagonismo em São Paulo, após 24 anos de domínio tucano. 

A última eleição vencida pelo MDB foi a de 1990, com Luiz Antônio Fleury Filho – numa sequência de três vitórias consecutivas da sigla. As gestões anteriores, antes da criação do PSDB, foram comandadas por Orestes Quércia e Franco Montoro. “Após a eleição de Fleury, essa é mais importante para nós. Vencer em São Paulo seria projetar o MDB para todo o País”, diz o deputado estadual Jorge Caruso.

Além de São Paulo e Santa Catarina, o MDB disputa em Sergipe, na Paraíba, no Distrito Federal e no Rio Grande do Sul, onde seus candidatos ocupam o segundo lugar nas pesquisas. No Distrito Federal, o advogado Ibaneis Rocha subiu de 9% para 20% em dez dias e encostou na primeira colocada, a candidata Eliana Pedrosa (PROS). A legenda, que hoje detém a Presidência da República e fez sete governadores em 2014, só lidera com folga em Alagoas e no Pará. 

Já o PSDB, pode reconquistar Minas, onde o senador Antônio Anastasia lidera a disputa com 35% das intenções de voto. Por enquanto, o partido perderia o Paraná, Goiás, Pará e Mato Grosso, Estados em que saiu vencedor em 2014. Manteria apenas o Mato Grosso do Sul e conquistaria Rondônia e Rio Grande do Sul, hoje governados pelo MDB, e Roraima, único administrado atualmente pelo PP. Nada disso, porém, compensaria a perda dos 45 milhões de paulistas.

PSL de Bolsonaro disputa Roraima com tucanos

Impulsionado pela crise de refugiados da Venezuela e pela violência causada pela guerra entre facções criminosas, o candidato ao governo de Roraima do partido do presidenciável Jair Bolsonaro, Antonio Denarium, ocupa o segundo lugar nas pesquisas do Ibope, com 29%. Ele defende restringir a entrada de refugiados no Estado ou fechar a fronteira por onde chegaram cerca de 40 mil pessoas que fugiram do regime de Nicolás Maduro.

Roraima é o único Estado em que o PSL tem, por enquanto chance de eleger um governador nesta eleição. A simulação de segundo turno feita pelo Ibope mostra, no entanto, que Denarium seria derrotado pelo candidato tucano José de Anchieta Júnior por 49% a 40%. O Estado tem 522 mil habitantes – é a menor população do País.

Depois do MDB e do PSDB, o PT é a sigla que mais lidera a disputa em Estados populosos – são quatro que somam 31 milhões de habitantes. Em seguida, vem o DEM, com três Estados e 26 milhões de habitantes e o PSB (seis Estados com 22 milhões de moradores). O PSD vem logo em seguida. Com a possível vitória no Paraná, o partido governaria 11,3 milhões de habitantes. Já o PCdoB manteria o Maranhão, com seus 7 milhões de habitantes. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.