Eleição em SP não está consolidada, diz analista

Sidney Kuntz afirma que cenário da disputa será mais preciso a duas semanas do pleito

Guilherme Waltenberg, de O Estado de S. Paulo

06 de setembro de 2012 | 17h45

Mesmo com o candidato Celso Russomanno (PRB) isolado na liderança das intenções de voto para a Prefeitura da Capital, com 35% segundo a mais recente pesquisa Datafolha, ainda não é possível falar num cenário consolidado para essas eleições, afirma o analista político e especialista em marketing eleitoral Sidney Kuntz. Na avaliação dele, as previsões que poderão dizer quem irá ou não para o segundo turno, quem vai chegar na frente dessa disputa só poderão ser feitas com mais precisão a duas semanas do pleito, ou seja, em torno do dia 20 de setembro. "Até lá, a pontuação (dos candidatos) pode variar."

Para Kuntz, o candidato do PSDB, José Serra, depois de atingir 21% das intenções de votos, na mais recente pesquisa Datafolha, pode ter atingido o seu piso. "Ele tem o voto fiel (do eleitorado identificado com o PSDB na Capital), independentemente de qualquer nome conectado ao dele (como o do atual prefeito Gilberto Kassab, que tem a administração rejeitada pela população). Tem coisas que são patrimônio, por isso não creio que ele caia mais do que isso nas pesquisas", argumentou.

Duas razões explicam a queda de Serra, explica Kuntz: a reprovação da administração de Gilberto Kassab (PSD), sucessor do tucano na Prefeitura, que chegou aos 48%, e o fato de ele ter deixado a Prefeitura em 2006, menos de dois anos após assumir. "Por isso, paira uma dúvida na cabeça do eleitor (se ele vai continuar até o fim)."

No últimos dias, Serra mudou seu discurso, buscando explicar sua saída da Prefeitura com a justificativa de que teve de concorrer ao governo do Estado para evitar que o PT vencesse, já que o então governador Geraldo Alckmin não podia se reeleger. Kuntz avalia que esse discurso ainda não produziu resultado porque, ao mesmo tempo, foram intensificadas as críticas dos adversários à saída do tucano.

Kuntz acredita ainda que o candidato petista, Fernando Haddad, deve crescer com a chegada na campanha da presidente Dilma Rousseff, que deve aparecer em vídeos ao lado do candidato, e da ex-prefeita e atual senadora Marta Suplicy. "Ele deve crescer especialmente na periferia, onde Marta é bastante popular e Russomanno tem muitos votos", disse. Além disso, Kuntz disse que ele deve continuar conquistando mais votos por conta do apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bastante presente em sua campanha.

Kuntz afirma que nem mesmo no caso do atual líder, Russomanno, é possível falar em um teto de intenções de voto. Para o analista, ainda há possibilidade de crescimento. "Não dá para mensurar se o Russomanno vai parar ou alçar mais voo, é uma incógnita", reconheceu.

Com apenas 7% das intenções de votos, o candidato do PMDB, Gabriel Chalita, ainda não é tratado como "carta fora do baralho" por Kuntz. Para o analista, o candidato do PMDB "corre por fora" nessa disputa, "mas ainda pode subir nesse mês", ressaltou.

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