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Eleição e mensalão pautam disputa na OAB

Na briga pela seccional de SP, advogado de João Paulo Cunha polariza com candidato de D'Urso, presidente licenciado e vice de Russomanno

BRUNO LUPION, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2012 | 03h06

O julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal e a disputa pela Prefeitura de São Paulo desembarcaram com força na eleição para presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, que ocorre em novembro. A entidade tem 280 mil advogados ativos e orçamento bruto anual de R$ 233 milhões.

Alberto Toron, advogado de defesa do deputado federal José Paulo Cunha (PT-SP) no escândalo do mensalão e um dos candidatos da oposição, foi acusado por e-mails apócrifos de usar o julgamento no STF para aparecer na mídia e fortalecer sua candidatura. O caso foi parar na Delegacia de Repressão a Crimes Virtuais do Deic, que apura a origem dos ataques.

O candidato da situação, Marcos da Costa, era vice-presidente da OAB-SP e assumiu o comando da entidade há quatro meses, quando o criminalista Luiz Flávio Borges D'Urso, filiado ao PTB, renunciou para se candidatar a vice-prefeito na chapa de Celso Russomanno (PRB). Costa carrega nos ombros a acusação de que seu padrinho político teria usado a entidade como trampolim político. D'Urso permaneceu nove anos à frente da OAB-SP, após vencer duas reeleições seguidas.

Além de Costa e Toron, outros três pré-candidatos se habilitaram à disputa: a especialista em direito do consumidor Rosana Chiavassa, o criminalista Roberto Podval e o especialista em direito econômico Ricardo Sayeg.

Toron e Chiavassa desfiam críticas à decisão de D'Urso se lançar vice-prefeito e apontam pouca transparência na gestão dos recursos e falta de democracia interna na entidade.

"A Ordem foi literalmente usada para a promoção da imagem pessoal, não há um jornal da entidade que não venha com a foto do presidente na capa", dispara Toron. Ele rompeu com o grupo de D'Urso em 2009 e desde então vem pavimentando sua candidatura. "Usar a OAB como trampolim é injusto, a entidade não pode servir a isso", reforça Chiavassa.

Para D'Urso, as críticas são "uma grande bobagem". "Não conheço na história alguém que use uma entidade por dez anos para fazer trampolim político", diz.

Pré-candidato. Ele afirma que deixou o cargo no tempo previsto pela lei e que o convite que recebeu para se candidatar a vice de Russomanno representa a abertura de um maior espaço de atuação "para nossos colegas que atuam politicamente na OAB". Com apoio do presidente do PTB, Campos Machado, D'Urso figurou como pré-candidato a prefeito de São Paulo, mas seu partido acabou atraído para a coligação em torno do nome de Russomanno.Costa defende o atual presidente dos ataques.

"Pegamos a OAB com patrimônio negativo de R$ 40 milhões em 2003 e agora o saldo é positivo de R$ 70 milhões", afirma.

Os nomes da oposição avaliam que a OAB-SP não acompanhou os avanços do País nos quesitos transparência e democracia.

'Clientelismo'. Toron diz que a entidade estaria tomada pelo "clientelismo", no qual as subseções do interior seriam forçadas a apoiar a atual gestão em troca de verbas para reformas e projetos locais. "Os presidentes no interior vivem com o pires na mão", afirma. "É como na ditadura, quando os partidos eram apenas a Arena e o MDB, e quem fosse do MDB não tinha verba para investir".

Costa rebate e diz que toda a execução orçamentária está no site da OAB-SP. "Nosso grupo entrou na Ordem em 2003 para acabar com o coronelismo que havia na gestão de Carlos Aidar, que hoje apoia o Toron", alfineta.

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