'Ele tinha mais crédito que o País'

Depoimento de Marcos Azambuja, diplomata e ex-embaixador, sobre Walther Moreira Salles

O Estado de S.Paulo

27 Maio 2012 | 03h06

"Dois aspectos chamam atenção em Walther Moreira Salles como diplomata: a sua brasilidade e o seu cosmopolitismo. Ao ocupar a embaixada brasileira em Washington, nos governos de Getúlio e JK, fica claro que sua escolha tinha a ver com fases difíceis pelas quais o País passava. E não era simples representar o Brasil naquele tempo, por ser ainda muito frágil na sua institucionalidade.   Só que, no caso do Walther, o que se viu é que ele tinha mais crédito internacional do que o País que servia. Não chegamos a trabalhar juntos, pois eu ainda era um novato. No entanto seu nome já fazia parte da minha mitologia pessoal. A verdade é que o País produziu naqueles anos um punhado de brasileiros que, mesmo não tendo saído da carreira diplomática, tornaram-se diplomatas honorários.   Homens como Oswaldo Aranha, Affonso Arinos de Mello Franco, o próprio Walther. Falo de um tempo em que os chefes de Estado estavam muito longe dos presidentes de exportação de agora. Em quase duas décadas no poder, Getúlio não viajou para o exterior. Lembro-me de uma única ida para a Argentina. Adiante criou-se a "viagem presidencial antes da posse", que incluía visita ao Vaticano, a Portugal e aos EUA. Até Tancredo a fez. Mas a representação ficava muito delegada aos embaixadores. No tempo do Walther, seria impensável o Brasil receber 130 chefes de Estado de uma só leva, como acontecerá na Rio+20. A interação presidencial hoje em dia é constante."

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