'Ele sabe ficar perto dos políticos', diz jornalista

Muitos dizem que a família

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

22 Março 2014 | 02h09

Frère detêm hoje 20% da Bélgica. É verdade ou exagero?

Exagero. Albert Frère foi acionista da petrolífera belga PetroFina e a revendeu à (francesa) Total. Fez a mesma coisa com a eletricidade: era acionista majoritário da Electrabel e a revendeu ao grupo francês GDF. Depois fez isso com o banco do qual era presidente: revendeu ao grupo holandês ING.

Essas negociações são legais?

Geralmente sim. Mas de vez em quando levanta a discussão se tudo está correto do ponto de vista fiscal. O início de Frère foi na produção de aço. Na crise da siderurgia belga, nos anos 80, o Estado comprou a siderúrgica de Frère. Ele vendeu a produção, e depois a empresa, à Bélgica e se diz que ele obteve um preço muito maior do que o valor real.

Como ocorreu no caso da refinaria vendida para a Petrobrás.

Frère mantém boas relações com políticos para garantir essas transações. Quando ele vendeu a siderúrgica ao Estado belga, o ministro da Economia tinha ido a Saint-Tropez e os dois jogaram tênis. É uma técnica dele, manter esse tipo de relação de homem privado com homens políticos. Ele sabe do dinheiro que existe em nível de Estado. É o que parece que aconteceu no caso Petrobrás.

Há alguma investigação sobre Frère na Bélgica?

Há uma questão de fraude fiscal e sonegação de impostos. Duas de suas principais holdings pagaram 152 de impostos sobre lucro de 3,3 bilhões.

Como definiria Albert Frère?

É um financeiro parasita que compra e vende sociedades, um parasita das finanças do Estado. É um vampiro do Estado. Enriquece graças ao Estado, seja o Estado belga, o francês...

Ou o Estado brasileiro...

Sim, ou o Estado brasileiro. / V.V., ESPECIAL PARA O ESTADO

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.