'Ele queria ser o festeiro e alardeou que ajudaria a igreja'

Padre da cidade natal de Paulo Vieira diz que ele foi 'recomendado' e ofereceu dinheiro para reforma, mas não custeou obra

Entrevista com

TIAGO DÉCIMO / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2012 | 02h07

Foi em meados do ano que o padre Giuliano Zattarin, responsável pela Paróquia de Santo Antônio, em Condeúba (BA), passou a ser sondado por "amigos" do ex-diretor da Agência Nacional de Águas Paulo Vieira. Sem citar nomes - "pareciam ser amigos próximos (de Paulo)" -, Zattarin conta que foi convencido a aceitar Vieira como organizador dos tradicionais festejos de Nossa Senhora de Aparecida.

Pivô do esquema desmantelado pela Operação Porto Seguro, Vieira levou à pequena cidade na qual nasceu um show gratuito do padre-cantor Fábio de Melo para abrir as comemorações, em 29 de setembro. Pagou o cachê de R$ 150 mil e alardeou que ajudaria a paróquia nas obras da Igreja Matriz de Santo Antônio, único templo católico da zona urbana do município, orçadas em R$ 120 mil. Mas o dinheiro não chegou. "Nem eu deixaria que viesse, porque defendo que a igreja tem de ser reformada pelos fiéis", diz o padre.

Qual sua relação com Paulo Vieira? Nenhuma. Não o conhecia até este ano. Sou italiano, da região de Veneza, estou na paróquia há sete anos e meio.

Mas ele foi o organizador da festa de Nossa Senhora. Foi. Por intermédio de amigos.

E aí ele levou o padre Fábio de Melo para a cidade... Quando ele se ofereceu para bancar o show, de R$ 150 mil, quase mandei cancelar. Sempre pergunto de onde vem o dinheiro. Fui convencido de que ele tinha muito dinheiro e não sabia onde gastar. Fiquei com medo de entrar para a história como o padre que impediu o show.

O Paulo não foi às festas? Veio. Conheci o Paulo no dia do show. Mas não consegui conversar com ele. A gente voltou a se encontrar no dia 12 (de outubro). Ele foi à igreja, na missa a Nossa Senhora, e pediu para subir ao altar. Disse algumas palavras de agradecimento e foi embora.

E a reforma da igreja? Muita gente na cidade diz que Paulo patrocinou as obras. A comunidade está chateada com essa história. O problema é que quando ele chegou como festeiro, alardeou que ia ajudar a igreja. Mas não aconteceu. As pessoas dizem que estou escondendo coisas, mas não estou. Não recebemos nada do Paulo para a reforma. O dinheiro não veio, nem eu deixaria que viesse. Defendo que a igreja tem de ser reformada pelos fiéis, pela paróquia.

Qual o custo das obras? A previsão é de R$ 120 mil. É dinheiro que o povo colocou. Além disso, o bispo ajuda e pedimos um empréstimo para a Cúria de Caetité.

O resultado da Operação Porto Seguro o surpreendeu? Não fiquei tranquilo, mas dava para imaginar, pela facilidade com que ele gastava, pela forma como se colocava para ajudar.

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