'Ela salvou minha mãe, era solícita'

Mulher que Ceci ajudou vive onde ela foi morta

O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2012 | 03h01

A dona de casa Lucivânia Oliveira dos Santos, de 37 anos, deixou Alagoas em 1996, quando o marido, Gilvan Silva dos Santos, conseguiu trabalho em São Paulo. Uma de suas últimas lembranças de Arapiraca, onde vivia, foi uma delicada cirurgia à qual sua mãe foi submetida, dois anos antes: ela teve o útero retirado e sofreu complicações pós-operatórias. No comando da equipe médica estava Ceci Cunha.

"Ela salvou minha mãe", lembra Lucivânia. "Ceci fez a operação e, quando apareceram os problemas, ela providenciou hospital e atendimento. Minha lembrança dela é de uma pessoa muito solícita, muito prestativa."

Lucivânia, o marido e o filho voltaram há dois anos, agora para morar em Maceió. Foi ele quem alugou a casa, em uma agradável rua sem saída, de frente para uma praça, com dois quartos, sala, cozinha e quintal.

Meses depois da mudança, ela descobriu que a casa era um pedaço do imóvel em que Ceci foi assassinada com o marido, Juvenal Cunha, mais a sogra, Ítala Neyde Pureza, e o cunhado, Iran Carlos Maranhão - a Chacina da Gruta, em dezembro de 1998. "Foi uma grande coincidência e uma surpresa para mim", conta Lucivânia. Depois do crime, a casa de número 284 da Rua Elói de Lemos França, na Gruta de Lourdes, foi dividida em quatro, identificadas pelas letras A, B, C e D, com quatro entradas independentes.

A parte da frente, 284-A, onde fica a varanda na qual ocorreu o crime, foi doada pela família à Fundação João Paulo II. Ali, 12 voluntárias da Comunidade Divina Revelação promovem um serviço de apoio telefônico a fiéis que podem ligar 24 horas. "Recebemos treinamento do padre, de psicólogos e de assistentes sociais", conta uma das orientadoras, Edvânia Pereira. A parte dos fundos, 284-D, foi vendida e totalmente reformada. Virou um amplo sobrado de dois andares, habitado por um casal paulista.

As duas casas centrais, B e C, de configurações semelhantes, ficaram com a família de Ceci, que aluga os imóveis. Lucivânia mora na casa B e já disse estar interessada em comprá-la. Seguindo o caso pela TV, ela afirma: "Espero que a justiça seja feita". / T.D.

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