Efeito efêmero

A eleição de um número significativo de prefeitos este ano é importante para os partidos, disso ninguém tem dúvida e nisso apostam as legendas ao investir no crescimento com vista à eleição de presidente, governadores, deputados e senadores em 2014.

DORA KRAMER, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2012 | 03h00

Mas, cresce entre os políticos a percepção de que o efeito de uma vitória substancial agora não significa necessariamente que as estruturas municipais lhes garantirão uma colheita de votos tão boa quanto, daqui a dois anos.

Isso porque os partidos vêm notando que os prefeitos já não são indutores de voto - principalmente o majoritário - como foram em outras épocas. Perdem relevância eleitoral.

E por vários motivos: o primeiro é que nas grandes e médias cidades o eleitor forma sua opinião independentemente da posição política do chefe do Poder Executivo local, com base nas informações dos meios de comunicação e, não raro, na conjuntura nacional.

Nesses casos o mais comum é ocorrer o oposto: o prefeito é quem embarca na tendência da maioria e se deixa conduzir por ela.

Outro fator é a mudança de posição, ou mesmo de partido, do prefeito que, aliado a um determinado grupo na eleição, muitas vezes se transfere com a máquina municipal para outra ala que lhe pareça mais forte, politicamente vantajosa, alegam as famosas razões de governabilidade e um abraço.

O aliado de hoje pode ficar a ver navios no meio do caminho e aquela vitória se transforma numa derrota.

Há que se levar em conta também o desgaste do eleito durante o mandato, que pode fazer do vitorioso um estorvo dois anos depois se nesse período tiver, por exemplo, aumentado muito a sua rejeição entre o eleitorado.

Isso não quer dizer que a eleição de prefeitos seja irrelevante para os partidos. É muito importante para marcarem posições, para formar "torcida" no processo de disputa, para serem vistos no palanque (eletrônico), para mostrarem força e, quando bem-sucedidos, serem apontados no dia seguinte pela imprensa como vitoriosos.

O efeito, porém, é efêmero. À exceção dos chamados grotões, onde o chefe político ainda é uma figura de influência determinante, nas grandes e médias a vitória ou a derrota nos municípios não são agentes definidores do desempenho estadual, muito menos nacional no futuro.

A tese não tem (ainda) comprovação, digamos, científica. A não ser um dado: o PMDB é o partido com o maior número de prefeitos - cerca de 1.300 - e, no entanto, não é competitivo no âmbito nacional.

Trata-se, isso sim, de um sentimento forte entre políticos que, naturalmente, não andam por aí a propagar a irrelevância eleitoral dos prefeitos.

Até porque eles têm, sim, a sua influência: na eleição proporcional, no domínio da máquina pública e sua repercussão na obtenção de recursos para as campanhas e são eles também que organizam as visitas dos candidatos às cidades e mobilizam gente para recepcioná-los nos aeroportos.

Perceba o leitor que são todos fatores relacionados com a eleição em curso. Não guardam relação de causa e efeito com o pleito seguinte.

Margem de manobra. Por enquanto vale o que tem afirmado o vice-presidente Michel Temer: Gabriel Chalita manterá a candidatura a prefeito de São Paulo.

Mas há quem diga no PMDB que é melhor esperar um pouco antes de apostar que essa seja a última forma.

Indefensável. O governador Eduardo Campos organizou ativa contraofensiva em defesa do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, na questão da liberação de recursos antienchentes para Pernambuco. Tem sido bem-sucedido.

Só não conseguiu ainda demonstrar que Bezerra agiu corretamente ao liberar 100% das emendas do filho deputado federal, concentrar repasses em Petrolina (tradicional reduto da família) e manter por um ano o irmão (Clementino) na presidência da Codevasf - estatal subordinada ao ministério -, burlando a proibição da prática de nepotismo na administração pública.

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