Efeito Dilma em 2010 fez PSDB agir na capital

Escaldados pela decisão de última hora na disputa presidencial, Alckmin, FHC e Guerra montaram cerco para pressionar Serra a concorrer em SP

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

04 de março de 2012 | 03h08

Escaldado pela demora na escolha do candidato que enfrentaria Dilma Rousseff em 2010, o PSDB aprendeu a lição da campanha presidencial e reagiu rapidamente às movimentações do PT na construção da candidatura do ex-ministro Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo.

Mais que isso: o partido criou as condições para forçar José Serra a decidir-se por disputar a eleição oito meses antes do pleito.

Participaram do cerco a Serra o governador Geraldo Alckmin, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE). Na definição de um integrante da cúpula tucana, foi uma operação de "cerca Lourenço", em que cada um dava declarações de forma a lembrar Serra de que ele era o melhor nome para enfrentar Haddad, lançado ainda no ano passado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A partir de janeiro, quando ficou claro que Haddad sairia do Ministério da Educação para se dedicar à campanha, Guerra passou a viajar a São Paulo para reuniões com Alckmin.

Às vezes, falava com Serra, sempre lembrando-o de que o PT tinha como principal projeto em 2012 a conquista de São Paulo. Daí, partiria para vencer as eleições nos Estados, de forma a dominar completamente o País em alguns anos. Serra sempre era lembrado que o PSDB havia se transformado no único partido capaz de cortar os planos do PT, visto que outras legendas de oposição - como o DEM e o PPS - são pequenas e as demais estavam nas mãos do governo.

Em janeiro Fernando Henrique aproveitou o fato de ter sido procurado pelo jornal El País, da Espanha, e pela revista The Economist, da Inglaterra, para fazer declarações que mexeram com os brios de Serra. Ao jornal espanhol, Fernando Henrique criticou Lula, dizendo que ele "age mais com o coração do que com a cabeça"; à publicação britânica, disse que o senador Aécio Neves era o candidato natural à Presidência da República em 2014. Após a divulgação das entrevistas, o PSDB "interpretou" as palavras do ex-presidente como o "aumento" da pressão a Serra.

Mesmo assim, de acordo com um dirigente do PSDB, Serra não dava sinais de que aceitaria se candidatar. Os tucanos então mudaram um pouquinho a tática. Eles fizeram chegar a Serra a opinião de que só ele poderia defender o partido, porque era o candidato mais capacitado para vencer o PT.

PSD. Quando, a partir de fevereiro, os petistas começaram a articular a aliança que apoiaria Haddad - tendo avançado sobre o PSD de Gilberto Kassab -, a pressão sobre Serra aumentou. No dia 19 de fevereiro, Guerra disse, em entrevista ao Estado, que a candidatura de Serra - que não existia ainda - representaria a "resistência da democracia ao projeto de hegemonia petista".

O ex-governador Alberto Goldman também participou do esforço para levar Serra a ser candidato à prefeitura de São Paulo. "Fomos ao Serra e mostramos que não havia ninguém melhor do que ele para enfrentar esse combate", disse. Serra cedeu.

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