Charles Sholl/Raw Images
Charles Sholl/Raw Images

Efeito Bolsonaro pode eleger até 11 governadores

Só em três Estados que definem governador hoje os líderes das pesquisas não declararam voto ou receberam apoio do deputado

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2018 | 18h34

Se as pesquisas de intenção de voto se confirmarem, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) pode ajudar a eleger hoje até 11 governadores alinhados a seu discurso. Levantamento feito com base nas mais recentes sondagens divulgadas pelo Ibope mostra que das 14 unidades da federação onde a disputa se estendeu ao segundo turno apenas em três os candidatos que lideram não receberam apoio ou declararam voto no deputado. 

Diferentemente do esperado pelo próprio PSL, o partido deve sair vitorioso em três disputas: Santa Catarina, Roraima e Rondônia, onde o coronel Marcos Rocha, candidato da sigla, tem 26 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o tucano Expedito Júnior. A maior vantagem registrada por um apoiador de Bolsonaro, no entanto, se dá no Distrito Federal. Lá, Ibaneis Rocha (MDB) alcançou 75% da preferência.

Em alguns casos, o apoio ao presidenciável foi essencial para que se chegasse ao segundo turno. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Romeu Zema (Novo), que hoje lidera as pesquisas para o governo de Minas Gerais. O candidato chegou a pedir votos para Bolsonaro quando seu correligionário João Amoêdo ainda participava da disputa presidencial – ele ficou em quinto lugar, somando 2,5% dos votos válidos.

“Romeu Zema foi oportunista. E fez isso baseado num cálculo eleitoral, o de que o eleitor poderia alinhar o seu voto, o que realmente aconteceu. Bolsonaro conseguiu alavancar seus aliados nos Estados e no parlamento, como nunca ocorreu antes”, afirmou o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV-SP. 

O candidato cita o antipetismo para justificar seu voto em Bolsonaro. “Ele tem alguns posicionamentos que vêm ao encontro do Novo. Com Bolsonaro na Presidência e Romeu Zema no governo, Minas Gerais terá uma atenção especial para sair dessa situação crítica em que se encontra”, disse Zema, em nota. Ele lidera as pesquisas com 67% das intenções de voto, segundo o Ibope. Seu adversário, o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB), tem 33%.

‘Ressalvas’

 Já o candidato tucano ao governo do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, resistiu mais à onda Bolsonaro. Só declarou voto no deputado após o presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, sair da disputa ao Planalto e ainda hoje diz que esse apoio não é “incondicional”. Mas colhe os frutos da decisão ao liderar as pesquisas com 60% das intenções de voto, ante 40% do atual governador, José Ivo Sartori (MDB), que também tenta se aproximar do presidenciável do PSL.

“Eu declarei o voto no Bolsonaro e não deixei de fazer as ressalvas e as críticas aos pontos que eu acho que merecem ressalva, especialmente no que diz respeito à convivência pacífica entre as pessoas. O PT não pode voltar ao poder, dados os problemas que enfrentou, não só de ordem moral, mas de uma política econômica que gerou problemas para o País. Mas isso não significa adesão incondicional às ideias do candidato Bolsonaro”, disse Leite ao Estado

No Rio e em São Paulo, a eleição ainda está aberta, mas em ambos os casos os líderes das pesquisas têm priorizado discursos favoráveis a Bolsonaro e contrários ao PT, apesar de o partido não disputar o segundo turno em nenhum dos dois Estados.

Considerado uma espécie de azarão, o ex-juiz Wilson Witzel (PSC) até mudou o “vestuário” no segundo turno: de um lado da camisa usa adesivo com seu nome e número; do outro, estampa a foto e o número do presidenciável do PSL.

Candidato ao governo paulista, João Doria (PSDB) não fica atrás. Abusa de adesivos com o logo “Bolsodoria” para pregar voto no deputado, apesar de a recíproca não ser verdadeira. Procurado pessoalmente pelo tucano no Rio, o presidenciável se negou a gravar com Doria e, assim como no Rio, segue neutro na disputa.

 

Placar partidário.

Com a definição da eleição nos 14 Estados em que a disputa avançou ao segundo turno, a divisão de poder entre os partidos será oficialmente alterada em relação ao mapa de 2014. E, antes mesmo da abertura das urnas, pelo menos três siglas já saem derrotadas: MDB, PSDB e PT. 

A maior queda é do partido do atual presidente da República, Michel Temer. Os emedebistas, que elegeram sete governadores há quatro anos, têm a chance agora de vencer em, no máximo, três. O partido foi vitorioso em Alagoas, no primeiro turno, e deve repetir o feito no Distrito Federal e Pará.

O PSDB, que fez cinco governadores em 2014, lidera em três Estados neste segundo turno e não venceu em nenhum no primeiro. Já o PT, que garantiu a vitória em três Estados (Bahia, Piauí e Ceará) no primeiro turno deste ano, pode ganhar também o Rio Grande do Norte, amenizando a queda – a sigla elegeu cinco na eleição passada. 

Em compensação, o PSL e o DEM, que estavam fora desse mapa, podem entrar, respectivamente, com três e dois Estados./COLABORARAM JONATHAS COTRIM e FILIPE STRAZZER

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.