Samuel Klicksam e Wilton Junior/Estadão
Samuel Klicksam e Wilton Junior/Estadão

Eduardo Paes acusa Witzel de receber R$ 500 mil de auxílio-moradia

Candidato respondeu que quer varrer a corrupção do Rio e que adversário foi citado em delações da Operação Lava Jato

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2018 | 13h53

RIO - O candidato do DEM ao governo do Estado do Rio, Eduardo Paes, acusou o adversário, Wilson Witzel (PSC), nesta segunda-feira, 22, de receber um total de R$ 500 mil de auxílio-moradia na condição de juiz federal, mesmo tendo imóvel próprio. O benefício é legal, mas Paes arguiu que o auxílio faz de Witzel "um juiz sem ética", à medida que ele afirma em sua campanha que irá cortar privilégios se eleito. Eles participaram de debate promovido pelo rádio CBN e o portal G1.

"O auxílio-moradia é previsto em lei. Não tenho apego a nenhum tipo de verba. Se tivesse, não teria pedido exoneração", afirmou Witzel, que deixou a magistratura em março. "Que bom que o povo acordou, percebeu que minha candidatura é a renovação. Tivemos esse grupo, o MDB, o DEM, que administraram o Estado e o município e os levou à falência moral e econômica", continuou, mais uma vez associando Paes ao ex-governador Sérgio Cabral (MDB), preso pela Operação Lava Jato há quase dois anos.

Ex-prefeito da capital, Paes sustenta que suas relações com Cabral eram institucionais. "Tenho 25 anos de vida pública, há dois anos estou sem qualquer tipo de foro privilegiado, e ninguém consegue apontar o que o Eduardo Paes roubou, o que tem de luxo, absolutamente nada", sublinhou. O oponente citou "sete delações da Lava Jato" em que seu nome aparece - o apelido do ex-prefeito era "Nervosinho". Paes reforçou que não é réu na operação e que o presidente do partido de Witzel, Pastor Everaldo, também foi citado por delatores.

O candidato do DEM voltou a apontar a ligação Witzel com o advogado Luiz Carlos Azenha, que escondeu o traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, na mala de seu carro, e tentou subornar policiais para liberá-lo. O caso foi em 2011, quando Nem era um dos maiores traficantes do Rio. O candidato do PSC reiterou que não tem "relação de proximidade" com ele nem existe participação de Azenha na campanha.

Eles divergiram quando perguntados no debate sobre o problema da migração de traficantes da capital para cidades do interior, na esteira das Unidades de Polícia Pacificadora, que expulsou os bandidos das favelas ocupadas. Paes disse que é preciso aumentar o policiamento no interior; Witzel defendeu o melhor aparelhamento da Polícia Civil para que se investigue a lavagem do dinheiro do tráfico e, assim, as quadrilhas sejam enfraquecidas.

Corrupção

Witzel prometeu "varrer a corrupção do Estado". Dirigindo-se ao eleitor, disse: "Sou um cidadão como você, indignado. Por isso estou aqui para varrer essas raposas da política. Estão desesperadas. Vamos varrer em Brasília com Jair Bolsonaro. É muita arrogância do candidato achar que é eterno na política. Ccomo político fracassado que é, será condenado pela população ao ostracismo".

Paes voltou a criticar o fato de o candidato do PSC usar o presidenciável do PSL como "escada", e se colocou como um gestor com oito anos de experiência na prefeitura do Rio. "Você não é o (juiz Marcelo) Bretas, não é o (juiz Sérgio) Moro. É um personagem irrelevante, um juiz desconhecido, que nunca participou de operação importante. Não estou desesperado. Estou querendo que a população te conheça, porque não sabe quem você é. Precisamos de alguém com experiência, não alguém que nunca administrou nada".

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