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Eduardo Leite anuncia renúncia ao governo do RS e diz que fica no PSDB

Governador não afirmou, no entanto, se tentará ser candidato ao Planalto pelo partido ou se vai concorrer a outro cargo nas eleições deste ano

Lauriberto Pompeu, Bruno Luiz, Camila Turtelli, Pedro Venceslau e Felipe Uhr, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2022 | 10h45
Atualizado 28 de março de 2022 | 20h35

BRASÍLIA – O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, anunciou nesta segunda-feira, 28, que vai permanecer no PSDB e que vai renunciar ao cargo – o que abre caminho para que ele dispute as eleições deste ano. Ao não aceitar o convite feito pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, para concorrer à Presidência da República pelo partido, Leite procura evitar desgaste com a saída do PSDB após a derrota nas prévias para o governador de São Paulo, João Doria. O gaúcho foi orientado por uma ala contrária à pré-candidatura de Doria a ficar na legenda e se colocar como alternativa ao paulista. Essa possibilidade de reversão das prévias vem sendo tratada por Doria como uma tentativa de golpe.

“Não estou dando adeus, estou me apresentando ao País”, disse Leite em entrevista coletiva na ala residencial do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. “Não se trata de um projeto pessoal, senão eu tinha escolhido um outro caminho que me foi oferecido.”

Cercado de secretários, o governador evitou declarar se ainda pretende ser candidato ao Planalto ou se vai concorrer a outro cargo em outubro.

Liderado pelo deputado Aécio Neves (PSDB-MG), o grupo que faz oposição interna a Doria acredita que pode reverter o resultado das prévias na convenção do partido, em junho.

A decisão sobre não migrar para o PSD foi comunicada no domingo em um telefonema a Kassab. Antes do anúncio, Leite também ligou para Doria e disse que vai respeitar o resultado da eleição interna. Conforme apurou a reportagem, o gaúcho, porém, alegou “não poder controlar o movimento de outros”. “(Leite) tomou a decisão certa ao ficar no partido. É a melhor decisão que um democrata pode ter”, afirmou Doria ao Estadão.

Apesar do tom conciliador, o governador de São Paulo considera as prévias irrevogáveis e seu grupo está preparado para um “segundo turno” da disputa interna. A estratégia de aliados de Doria é carimbar a ala dissidente do PSDB – da qual fazem parte Aécio, o ex-senador José Aníbal (SP), o ex-ministro Pimenta da Veiga (MG) e o senador Tasso Jereissati (CE) – como “golpista”. “Só se revoga a democracia com um ato de força e autoritarismo”, declarou o governador paulista.

A tática do grupo de Doria passa também por mobilizar tucanos históricos e líderes regionais para defender publicamente o resultado das prévias, além de tentar mudar a correlação de forças na burocracia do PSDB, hoje vista como hostil ao governador. Como mostrou o Estadão, aliados do paulista cobram do presidente do PSDB, Bruno Araújo, posição contundente em defesa do resultado das prévias. Nesta segunda, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se posicionou no Twitter. “As prévias foram realizadas democraticamente. Assim sendo, penso que devem ser respeitadas.”

Leite exibiu nesta segunda-feira, 28, vídeo em que fala em tom de pré-candidato. Anunciou que vai viajar o País para “engajar os jovens pelo voto” e está “se apresentando”. Pregou “mais tolerância” na política e defendeu a criação, pelos partidos de centro, de uma alternativa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao presidente Jair Bolsonaro (PL). “Me desincompatibilizo para onde meu partido mais precisar de mim. Vou renunciar ao poder para não renunciar à política.” 

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