Eduardo Cury (PSDB) se reelege em São José dos Campos

Com 90% dos votos apurados, o candidato tucano aparecia com 57,18% dos votos

Da Redação,

05 de outubro de 2008 | 23h45

A disputa para a prefeitura de São José dos Campos foi decidida no primeiro turno. Com 90% dos votos apurados, o candidato tucano Eduardo Cury (PSDB) aparecia com 57,18% dos votos. Carlinhos Almeida (PT) ficou em segundo, com 39,31% dos votos. Toninho (PSTU) teve 3,51% dos votos.   São José dos Campos é a maior e a única com a possibilidade de segundo turno, por ter quase 610 mil habitantes e 414.353 eleitores. Na seqüência vêm Taubaté, com 270.918 mil moradores e 193.593 votantes, e Jacareí, com uma população de 210.988 pessoas e um eleitorado de 145.367.   O Vale do Ribeira é uma região reconhecida por abrigar importantes indústrias como Embraer, Volkswagen, General Motors e Petrobrás e representa cerca de 5,1 % do eleitorado do Estado de São Paulo. Com 39 municípios, a região soma pouco mais de 1,5 milhão de eleitores, dos quais 50,24% são das maiores cidades.   Principal cidade da região, São José é berço dos tucanos há 12 anos, quando o hoje deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP) venceu Ângela Guadagnin, que tentava a reeleição pelo PT. A ex-deputada - que ficou conhecida como a "dançarina da pizza", por ter comemorado na Câmara dos Deputados a absolvição de parlamentares acusados de envolvimento no mensalão - desta vez faz sua incursão ao cargo de vereadora, já que ao tentar voltar para o Congresso, em 2006, arrebanhou somente 37.931 votos, resultado ínfimo perto dos 153.931 que recebeu da vez anterior.   O PT tenta resgatar o comando da cidade por meio da candidatura do deputado estadual Carlinhos de Almeida, que teve o reforço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha. O petista está em empate técnico com o prefeito Eduardo Cury (PSDB), que conta com o apoio do governador José Serra (PSDB) para se reeleger.   Campanha   Ao contrário da maioria das grandes cidades, onde há pelo menos cinco candidatos a prefeito, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP), a campanha teve a polarização entre PT e PSDB desde o início da campanha. De um lado, o prefeito Eduardo Cury (PSDB), candidato à reeleição. No encalço de Cury, o deputado estadual Carlinhos Almeida (PT), com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.   De acordo com pesquisa Ibope, divulgada no dia 30, o prefeito de São José dos Campos estava na frente, com 45% das intenções de voto, enquanto Carlinhos Almeida ficaria com 36%, tendo crescido 3 pontos porcentuais desde o levantamento anterior, divulgado no dia 15.   Com 600 mil habitantes e detentor do segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2005, o município possui uma tradição histórica de equilíbrio, segundo afirma o cientista político José Maurício Cardoso Rego, professor de ciência política da Universidade de Taubaté (Unitau). "São José caracteriza-se por ser um município que cresceu por meio de uma adequação capitalista e por ter apresentado nos últimos anos projetos políticos próprios, sem depender dos governos estaduais ou federais."   Esta independência pode ser entendida pela presença de importantes empresas, casos da Embraer, Refinaria Henrique Lage (Revap), da Petrobrás, General Motors (GM), Johnson & Johnson e Monsanto. Segundo Rego, este quadro propiciou também o surgimento de um sindicalismo forte e engajado, que, no caso desta eleição, está representado pelo candidato Antonio Donizete Ferreira (PSTU), mais conhecido como "Toninho", da Coligação Frente de Esquerda Socialista (PSTU-PSOL), que está com 5% das intenções de voto, segundo a última sondagem.   De acordo com o cientista político, os programas de Cury e de Carlinhos Almeida possuem semelhanças. "O que vai definir é o perfil ideológico do eleitor. A sociedade está dividida", afirma. Nos últimos 16 anos, a cidade passou por uma gestão petista e três tucanas, que deixaram marcas até hoje perceptíveis. "A administração petista ficou marcada por projetos sociais e trabalhos de conscientização dos trabalhadores", lembra, ao se referir ao mandato da ex-prefeita Ângela Guadagnin (1993-1996).   Ângela foi sucedida pelo hoje deputado federal Emanuel Fernandes (PSDB), que governou o município em duas administrações e conseguiu eleger o atual prefeito. "Foram gestões nas quais o principal foco foi o replanejamento físico, com novas avenidas e chegada de grandes empresas", diz o cientista. Segundo a pesquisa Ibope, o índice de aprovação (ótimo, bom e regular) de Cury é de 87%, pouco superior ao de Lula, que alcançou 84%.   Com segundo turno quase definido, Rego afirmou achar difícil qualquer prognóstico, embora o crescimento do candidato do PT a prefeito de São José dos Campos tenha coincidido com a entrada do presidente na publicidade eleitoral gratuita. " É um fenômeno que aconteceu em todas as cidades onde Lula apareceu na propaganda. Ele mexe com a emoção, sua influência é inegável. Mas é um risco dizer que isto vá mudar o jogo." Já a figura do governador José Serra (PSDB) não é vista de modo positivo pelo cientista. "Serra é um líder institucional, mas não é carismático. Para o eleitor de uma cidade do interior, ele é visto como um burocrata", diz. Dentro dos mesmos critérios, a aprovação do governo Serra, segundo o Ibope, é de 76%.   Com índices de rejeição praticamente iguais (o prefeito tem 20% e Carlinhos Almeida, 23%, segundo o Ibope) numa cidade dividida, o professor enxerga apenas um fator que pode influir decisivamente no segundo turno. "É a presença do DEM na chapa do atual prefeito", declara. "O DEM é a anomalia desta eleição", acredita.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.