Eduardo Campos aumenta poder em estatais do Nordeste

Indicação para a Chesf é vitória do governador pernambucano, que ainda mira os comandos da Sudene e da Codevasf

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2011 | 03h06

Após segurar por 11 meses a nomeação do presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) para não fortalecer o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, a presidente Dilma Rousseff recuou para não desagradar ao aliado. João Bosco de Almeida, homem de confiança de Campos e seu secretário de Recursos Hídricos até sexta-feira, tomará posse no cargo amanhã.

A fidelidade do PSB na primeira fase de votação da prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU) quebrou a resistência de Dilma. João Bosco substituirá Dilton da Conti - também do PSB, mas adversário de Campos. Agora, resta preencher as diretorias da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e Parnaíba (Codevasf).

A desculpa dada pelo governo para a demora é de que os entendimentos para a renovação das diretorias eram feitos pelo ex-ministro Antonio Palocci, que deixou o governo em junho. O motivo mais forte, porém, é a movimentação de Campos, atestam auxiliares de Dilma e dirigentes do PT e do PSB que acompanham o preenchimento de cargos do segundo escalão. Todos os cálculos feitos até agora sobre os postos nas três estatais levam a um fortalecimento político do pernambucano, o que incomoda tanto o PT quanto Dilma.

Influência. Hoje, quem exerce o poder de fato na Sudene é o Conselho Deliberativo, formado por governadores dos nove Estados do Nordeste, de Minas e do Espírito Santo, pelo ministro da Fazenda, pelo presidente do Banco do Nordeste, pelo superintendente da estatal e por representantes de municípios, empresários e trabalhadores, sob o comando do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, aliado de Campos. Cinco desses governadores são do PSB, partido que apoiou a indicação do presidente do Banco do Nordeste, Jurandir Santiago.

Como o PSB reivindica para a ex-governadora Wilma de Faria (RN) a chefia da Sudene, se for nomeada, Campos passaria a ter controle absoluto sobre a empresa. Hoje, a Sudene é dirigida por Paulo Sérgio de Noronha Fontana, indicação do governador Jaques Wagner (PT) e do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), ambos da Bahia.

São Francisco. A influência de Campos repete-se na Codevasf. Com a transposição do Rio São Francisco, a estatal será uma das mais influentes do Nordeste. Acéfala desde janeiro, quando Luiz Carlos Everton de Farias deixou o cargo para ocupar uma diretoria no Banco do Nordeste, a Codevasf é tocada por Clementino Coelho, irmão do ministro da Integração Nacional.

O governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), alega que a Codevasf sempre foi dirigida por um piauiense e defende para o posto seu irmão, Rubens Martins, hoje seu secretário de Desenvolvimento Agrário. Seria mais um nome aliado de Eduardo Campos.

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