Eduardo Campos afirma que será fiel ao Planalto

Em balanço sobre eleições, governador de Pernambuco e presidente do PSB fala em 'buscar o que une e relevar o que separa' e que '2014 é em 2014'

Angela Lacerda, especial para O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2012 | 02h02

O governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, reiterou nessa segunda-feira, 29, ao avaliar o resultado do 2.º turno das eleições municipais em todo o País, sua fidelidade à presidente Dilma Rousseff e o seu bom relacionamento com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Já tem muita gente querendo criar problemas para a presidente Dilma", afirmou, em entrevista à imprensa. "Nós queremos criar soluções, ajudar a tocar a pauta que interessa à população neste momento", acrescentou.

No seu propósito de não criar nenhum tipo de aresta com o partido da base aliada do governo, afirmou que o caminho a ser seguido pelo PSB, depois do bom desempenho nas urnas, "será o de buscar cada vez mais o que une e relevar o que separa". Dentro dessa diretriz, também nada comentou sobre as próximas eleições presidenciais, quando indagado sobre o assunto: "2014 é em 2014", limitou-se a dizer sobre as notícias que circulam nos meios políticos, dando conta de que é um candidato potencial ao Planalto daqui a dois anos.

Para ele, a lição que fica dessa eleição é: "Passada a eleição, o importante é cuidar do que interessa ao povo". Quem fica "entre uma eleição e outra só cuidando do que não interessa ao povo, quando chega a eleição não tem o que dizer e normalmente tem resultados frustrantes", emendou o governador pernambucano.

Depois de ver o número de prefeituras sob o comando de seu partido aumentar de 310 para 443 - total que inclui a conquista de 5 capitais -, a estratégia do PSB, segundo ele, será olhar para o futuro, dar conta da responsabilidade recebida e aprender tanto onde ganhou como onde perdeu.

Seminários. Onde ganhou, o PSB vai buscar imprimir uma gestão que atenda à população - tanto que o partido se prepara para fazer seminários sobre gestão pública com os prefeitos eleitos. Onde perdeu, prossegue o governador, o PSB tem a responsabilidade de colaborar com os que ganharam. "Ter maturidade para não fazer a velha política de ficar torcendo contra, procurando atrapalhar", observou. "Isso não cabe mais e quem fez este tipo de aposta terminou se dando mal."

O governador não quis fazer nenhum comentário sobre os resultados negativos do partido em capitais como João Pessoa (PB) e Curitiba (PR), onde seu candidato estava no poder mas perdeu a reeleição.

"Hoje é dia de celebrar", observou. Deixou claro, também, que o PSB conseguiu a reeleição em 72% dos municípios que vinha governando.

Pouco depois de começar a coletiva, o governador recebeu telefonema da presidente Dilma Rousseff. Retirou-se e voltou 15 minutos depois dizendo que na conversa os dois haviam tratado de questões administrativas e que ele deverá ir a Brasília para uma reunião com ela, provavelmente na próxima semana.

Seca. Sobre as cobranças e críticas feitas por ele próprio, nos últimos dias, pela demora da ação do governo federal em relação à pior seca que assola o Nordeste nos últimos 30 anos, e quanto à sua indignação por causa do longo tempo que durou o apagão da semana passada em todo o Nordeste e parte do Norte, ele baixou o tom e pôs panos quentes no assunto. Não se tratou de crítica, explicou. Ele apenas estava fazendo sua parte como governador.

O mesmo vale, também - justificou o governador -, a respeito de sua pressão pela discussão de um novo pacto federativo para desafogar Estados e municípios. Essa é uma bandeira que ele diz defender há muito tempo.

Quanto aos repetidos comentários sobre dificuldades surgidas nas relações entre ele e o ex-presidente Lula, Campos voltou a explicar que "uma relação de tantos anos, que passou por momentos tão duros e bonitos da vida política brasileira nos últimos 20 anos não vai ficar ao sabor do disse me disse e de quem se interessa por esse tipo de coisa, de separar as pessoas, de tentar intrigar as pessoas".

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