Divulgação/Campanhas candidatos
Divulgação/Campanhas candidatos

Eduardo Braga e Rebecca Garcia são alvos dos adversários no último debate no Amazonas

Eleição suplementar para o governo do Estado está marcada para o domingo

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2017 | 03h44

MANAUS - Três meses após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar o mandato do governador do Amazonas, José Melo (Pros), por compra de votos na eleição de 2014, sete dos oito candidatos ao governo na eleição suplementar marcada para domingo participaram na noite desta quinta-feira, 3, de um debate tenso na Rede Globo - o último antes do primeiro turno.

Apesar do formato engessado, Eduardo Braga (PMDB) e Rebecca Garcia (PP) foram os alvos preferenciais dos adversários, que lembraram que a dupla esteve junta em eleições passadas. O candidato do PT, José Ricardo, acusou o governador interino, David Almeida (PSD), de usar a máquina pública para ajudar a aliada, Rebecca Garcia (PP). "David Almeida está ameaçando pessoas e demitindo quem não apoia a sua campanha. O outro governador foi cassado fazendo a mesma coisa", disse o petista.

A candidata do PP respondeu chamando a acusação de "leviana". O Ministério Público Eleitoral do Amazonas ingressou na terça-feira com uma ação cautelar contra Rebecca e Almeida por uso da máquina pública na eleição. O MP relata a demissão de 48 servidores que teriam se recusado a fazer campanha para a candidata do PP.

O candidato do PT também disse que Rebecca "traiu" a ex-presidente Dilma Rousseff por ter apoiado o impeachment após ter sido nomeada por ela para comandar a Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA). "Isso é maldoso. Ele quer confundir meu eleitor. Fui nomeada gestora do Suframa e no momento que Temer assumiu, foi a indústria que pediu que eu ficasse", respondeu Rebecca.

O candidato Marcelo Serafim (PSB), por sua vez, acusou Eduardo Braga de ter "perseguido prefeitos" quando era governador, e afirmou que o peemedebista "não é respeitado como homem público" pelas pessoas. Em seguida, Serafim disse que o vice de Braga, Marcelo Ramos (PR), teria o chamado de "ladrão" na eleição municipal de 2016. "Ele (Ramos) disse aos quatros cantos que aceitou ser vice porque você será preso na Lava Jato", afirmou.

"Sou ficha limpa. Tenho 36 anos de vida pública sem condenações nos tribunais. Citações sem provas não podem ser levadas a sério. Defendo a Lava Jato", respondeu o peemedebista. Depois da delação da Odebrecht, Braga e outros 24 senadores foram alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). Em outro momento, Wilken Barreto (PHS) lembrou que Rebecca Garcia foi indicada para a Suframa por Eduardo Braga e afirmou que em sua gestão o estado teria perdido 23 mil empregos. "Assumi no pior momento da economia e mesmo assim fui bem avaliada", defendeu-se a candidata.

O cenário nacional foi pouco abordado no debate. A candidata Liliane Araújo (PPS) disse a José Ricardo (PT) que considera "incompreensível" ele estar filiado "ao partido mais corrupto do País". O petista respondeu dizendo que Michel Temer foi denunciado por corrupção, e partiu para o ataque. "No PMDB, do Eduardo Braga, estão todos denunciados na Lava -Jato, bem como no PP, da Rebecca e os amigos do Amazonino Mendes (PDT)". Luiz Castro, da Rede, por sua vez, usou seu tempo para criticar Temer, que foi chamado por ele de corrupto.

Bem colocado nas pesquisas ao lado de Braga e Rebecca, o ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT) foi poupado pelos adversários. O debate na Rede Amazônica, afiliada da Globo, terminou à 1h no horário local (2h no horário de Brasília).

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