Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Economistas entram no front político por Dilma e Aécio

Pano de fundo para confronto é a forma como deve ser conduzida a política econômica brasileira nos próximos anos

Valmar Hupsel Filho e Alexa Salomão, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 19h32

A menos de duas semanas da eleição, os principais economistas do país das mais respeitadas instituições brasileiras e estrangeiras travam uma batalha pelas candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). O pano de fundo é a forma como deve ser conduzida a política econômica brasileira nos próximos quatro anos.

De um lado, economistas liderados por nomes como Maria da Conceição Tavares, professora emérita da UFRJ e Unicamp, e Luiz Gonzaga Belluzzo, que foi conselheiro econômico do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, organizaram nesta segunda-feira, 13, uma lista inicialmente com 11 economistas que declararam publicamente apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). A lista é aberta a receber novas assinaturas.

No dia seguinte, a reação foi na forma de um manifesto assinado por 164 profissionais da área, com objetivo de "desconstruir um dos inúmeros argumentos falaciosos ventilados na campanha eleitoral." Assinam o manifesto nomes como Eduardo Zilberman e e Vinicius Carrasco, ambos ligados ao departamento de Economia da PUC-Rio, de onde saíram economistas próximos do PSDB, como Pedro Malan e Edmar Bacha, entre outros. Também faz parte da lista o professor do Insper Marco Bonomo, que apoiava a candidatura de Marina Silva (PSB) no 1º turno.

A condução da política econômica é um dos principais alvos de críticas ao governo atual por ter as menores taxas de crescimento da história e, ainda assim, não conseguir domar a inflação e a fuga de investimentos. Seu adversário, Aécio Neves (PSDB), promete um pacote de medidas para reverter este cenário, recuperando a política do Plano Real, com a retomada do tripé econômico (superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação) - diretriz usada pelo ex-presidente Lula e abandonada por Dilma.

No documento de apoio à reeleição da candidata petista, economistas argumentam que "dificuldades conjunturais existem e devem ser enfrentadas com firmeza, fazendo correções e ajustes sempre que necessário." O documento prossegue afirmando que isso não pode servir de pretexto a políticas econômicas "do passado, que se voltavam apenas para uma parcela da população e, diante dos problemas, impunham à maioria o preço da recessão, do desemprego, do arrocho salarial e do corte dos investimentos sociais."

Um dos organizadores da lista de apoio à reeleição de Dilma e professor da Unicamp e Facamp, Belluzzo diz que a iniciativa faz parte do jogo democrático e está de acordo com a tradição de se colocar a economia no contexto histórico.

Ele afirma que, mesmo com as críticas que tem feito ao atual governo, principalmente por sua dificuldade em manter a inflação sob controle, apoia a candidata que tenta a reeleição. "Com todas as observações concordo com a orientação central, que tem como meta a redução da desigualdade e o avanço das camadas de menor poder aquisitivo", disse.

No manifesto da "desconstrução", economistas afirmam que o governo usa argumentos falaciosos ao tentar se eximir da responsabilidade pelo "desempenho econômico pífio" e colocar a culpa a crise internacional".

Segundo o texto, "os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas estão em risco". "Neste cenário de baixo crescimento e inflação alta, a semente do desemprego está plantada", afirma. 

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