Economistas do plano demonstram preocupação

Criadores do plano e ex-colaboradores de FHC veem conjuntura difícil e pregam investimentos e austeridade fiscal

O Estado de S.Paulo

13 de março de 2014 | 02h04

No que se refere ao debate econômico, o evento que comemorou o aniversário de 20 anos do Plano Real foi marcado por elogios à estabilidade promovida durante a gestão Fernando Henrique Cardoso e por críticas ao atual governo. O grupo de debatedores reuniu os principais integrantes da equipe econômica dos dois governos de FHC.

Entre os mais críticos estavam Gustavo Loyola, Gustavo Franco e Armínio Fraga, ex-presidentes do Banco Central. Para Fraga, hoje sócio da gestora Gávea Investimentos, o atual cenário é pior do que vislumbra a maioria de seus colegas quando se olha o "filme" sobre a economia. "Preocupa a deterioração que podemos ter lá na frente", disse. Fraga, que estaria auxiliando o pré-candidato tucano Aécio Neves na área econômica, defendeu uma agenda com medidas de controle dos gastos públicos.

Franco, fundador da Rio Bravo Investimento, condenou a "leniência" do PT com a inflação. Segundo ele "o inflacionismo não morreu", mas "se transmutou em um populismo, neobolivarianismo contábil".

Para José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica na Fazenda e hoje na MB Associados, uma sucessão de falhas do atual governo teriam levado o Brasil a uma "armadilha de baixo crescimento", da qual vai precisar de esforço redobrado para sair.

Edmar Bacha, um dos criadores do Real e hoje diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica da Casa das Garças, resgatou um tema considerado vital: reforma tributária. "É difícil imaginar algo mais importante no início do primeiro ano do novo governo, no ano que vem, do que dedicar-se à reforma tributária no País", disse o economista, também apontado como simpatizante de Aécio.

Pérsio Arida, outro economista que participou da criação do Real, afirmou que a estabilidade era parte de um projeto de modernização que foi interrompido. "Nossa estabilidade financeira não está inteiramente completa", disse.

Privatização. Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda que atua no conselho de administração de várias empresas, lamentou o tempo "precioso" que o Brasil perdeu com a interrupção do processo de privatização no governo Lula, retomado "timidamente". "Isso custou muito ao País. Ficamos cinco anos sem qualquer tipo de licitação."

André Lara Resende e Eduardo Giannetti, que se aproximaram de Marina Silva e já fizeram alguns contatos com Eduardo Campos, defenderam uma nova agenda, baseada em investimentos em educação e no desenvolvimento sustentável. /

A.S., B. B., E.L. e F.T.

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