Economia, trunfo e risco

A presidente Dilma Rousseff tem tratado a economia no âmbito interno do governo como trunfo e risco de seu primeiro mandato e, por conseguinte, da expectativa de reeleição. As últimas medidas na área econômica têm esse viés de preservação da estabilidade num reconhecimento de que a ela deve ser atribuído o alto índice de aprovação do governo e, mais ainda, da presidente.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2012 | 03h03

O princípio de que a bonança econômica blinda qualquer governo de suas deficiências se aplica de forma clara na interpretação da pesquisa mais recente. Os índices de reprovação à gestão de Saúde e Segurança são maiores que os de aprovação ao governo, mas a presidente ficou acima de tudo isso, com 77%.

O Planalto esperava a preservação do patamar anterior de popularidade da presidente, mas seu aumento é atribuído ao enfrentamento com a base aliada, expondo a voracidade fisiológica do Congresso e a resistência da classe política à reforma de hábitos e costumes já no índex da sociedade.

As duas pontas - crescimento econômico e resistência ao toma lá dá cá - devem seguir, portanto, como estratégia política de governo. O cuidado que a presidente tem recomendado aos seus auxiliares mais diretos é não transformar resistência ao fisiologismo em afronta ao Congresso.

Por esse raciocínio, os políticos é que são responsáveis pelo desgaste de sua imagem e, ao não ceder a demandas indevidas, o governo apenas dá visibilidade a isso.

Em tempos de Ficha Limpa, Lei de Acesso à Informação e exigência de transparência na gestão pública, o Congresso é que deve resgatar sua imagem.

Rico antes

de velho

Nos fóruns internacionais, a presidente Dilma Rousseff tem dito aos seus interlocutores que até 2032, ou um pouco mais, o número de pessoas no Brasil em idade e condições de trabalho será maior que o número de crianças, jovens, deficientes e idosos. E que essa "janela demográfica", já fechada ao mundo desenvolvido, dá ao País condições invejáveis de crescimento sustentado. Sua síntese tem sido a de que a missão de seu governo é conduzir projetos capazes de fazer do Brasil um país rico antes de ficar velho.

Código na pauta

A performance nas pesquisas está na raiz também da decisão do governo de enfrentar o desgaste com os ambientalistas e flexibilizar as negociações na Câmara com relação ao Código Florestal. Dobrado por 400 votos ruralistas suprapartidários, o governo deve renovar pela sexta vez o decreto que suspende a Lei dos Crimes Ambientais, evitando sanções aos produtores, que vence no dia 11. A providência abre caminho para votação do código em 17 ou 24 de abril.Sob controle

O governo quer concentrar a gestão de recursos dos fundos constitucionais no Ministério da Fazenda para controlar o volume de financiamentos e empresas beneficiadas. A premissa é a de que a descentralização da gestão favorece um mesmo grupo, que capta recursos em diferentes fundos. O primeiro passo foi a transferência do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante para a Fazenda. Estão na mira Fundos Constitucionais do Norte (FNO) e do Nordeste (FNE).

Revanche

Com as contas de campanha

rejeitadas, José Maranhão

(PMDB-PB) deve sair da disputa pela Prefeitura de João Pessoa. Pode virar ficha-suja, com sabor de revanche para o PSDB: por uma ação sua, o tucano Cássio Cunha Lima perdeu nove meses de seu mandato no Senado.

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