EBC admite 'erro' ao anunciar mortos pela PM no Pinheirinho

Em nota divulgada duas semanas após o episódio, empresa de comunicação do governo atribui falha a informações controversas

O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2012 | 03h08

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), empresa pública que controla a TV Brasil e a Radiobrás, afirmou ter errado em reportagem da Agência Brasil que dizia ter havido mortes na operação da Polícia Militar no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). Um dos textos veiculados pelo serviço noticioso afirmava ter ocorrido mortes em virtude da ação da PM paulista.

Em nota intitulada "Agência Brasil reconhece erro em notícia sobre mortes no Pinheirinho" e divulgada anteontem, duas semanas depois da veiculação da reportagem, em 23 de janeiro, a EBC nega influência política na abordagem e diz ter cometido um "erro jornalístico diante de uma situação de poucas e controversas informações".

"Faz-se necessário assegurar aos nossos leitores que não houve má-fé da Agência Brasil ao publicar a matéria. Tampouco houve submissão desta agência a qualquer interesse de natureza política", diz a nota.

Desde a ação de reintegração de posse, no dia 22 de janeiro, a operação tem sido usada como arma política. O governo de São Paulo foi alvo de sucessivas críticas de petistas por supostas violações de direitos humanos no Pinheirinho. Na ocasião, a polícia foi acusada de expulsar com violência os moradores da região, por vezes, com uso de balas de borracha. Em reunião com representantes de movimentos sociais, a presidente Dilma Rousseff classificou a ação de "barbárie". O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou que a PM, sob o comando do governador Geraldo Alckmin (PSDB), "praticou terrorismo". Os tucanos, liderados pelo secretário paulista da Casa Civil, Sidney Beraldo, contra-atacaram apontando ações de reintegração em prefeituras comandadas pelo PT e alegando que o governo federal não "fez nada" para resolver a ocupação ilegal no Pinheirinho.

A nota da EBC afirma que, embora a reportagem da Agência Brasil tenha atribuído a informação de que havia mortos na ação à Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de São José dos Campos, "não houve a devida checagem da veracidade da informação". Segundo a EBC, foi feita uma entrevista pela equipe de reportagem da TV Brasil com o presidente da comissão, Aristeu César Pinto Neto, que informou sobre as supostas mortes. A nota diz que "a parte que denunciava a morte não foi utilizada no noticiário televisivo por falta de confirmação ou comprovação".

A equipe da Agência Brasil, contudo, decidiu vincular a notícia por considerar "a informação relevante e suficiente para ser publicada, tendo em vista o advogado ter se apresentado como representante de uma instituição respeitável". "A Agência Brasil, embora tenha atendido à exigência de identificação da fonte da informação, não seguiu os demais procedimentos da boa prática de apuração,", diz o texto.

A EBC menciona o jornal britânico Guardian, veículo que também noticiou a suposta existência de mortos, ao argumentar que a exigência de que as informações fossem divulgadas com rapidez levou diversos veículos a cometerem o mesmo erro.

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