'É um equívoco e quero reconhecer', diz Aécio sobre pousar em aeroporto

Tucano admite que utilizou pista não homologada de Cláudio feita em área que era de tio-avô; ele afirma que nunca viajou em avião

Débora Bergamasco, O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2014 | 19h25

Cerca de dez dias após a revelação de que o governo de Minas, durante sua gestão, construiu um aeroporto em área desapropriada de um parente seu, em Cláudio (MG), o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves (PSDB), admitiu na última quarta-feira pela primeira vez que utilizou a pista.

O aeroporto - localizado em área que pertencia ao tio-avô do tucano, Múcio Tolentino, a 6 km de uma propriedade de Aécio e familiares - não tem homologação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e, por isso, só poderia ser usada por helicópteros, e não por aviões.

"Este é um equívoco e eu quero reconhecer", afirmou Aécio em entrevista no seu gabinete no Senado, um dia após o Estado mostrar que um documento produzido pela equipe de campanha do PSDB admitir que o tucano utilizou o aeroporto. O texto preparado pela campanha tucana falava em "voos ocasionais", feitos em conformidade com a lei.

O candidato disse que, como governador, usou "algumas poucas vezes" a pista em avião da família e "nunca oficial". A obra do aeroporto - que custou R$ 13,9 milhões -, iniciada quando Aécio exercia o segundo mandato de governador, em 2009, e concluída após sua renúncia para se candidatar ao Senado, em 2010, foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo. Em 1983, quando Minas era governada pelo avô do tucano, Tancredo Neves, o Estado construiu uma pista de terra para aviões na fazenda de Múcio, cunhado do então governador.

"Não tenho nada a esconder. Usei várias vezes desde a minha juventude, quando ainda era pista de terra. Depois da conclusão da obra, quando eu não era mais governador, usei algumas poucas vezes (a pista) em avião da minha família, nunca oficial", disse Aécio. "Reconheço que errei em não ter me preocupado em averiguar qual era o estágio em que a homologação estava."

O candidato voltou a defender a "necessidade econômica" da obra para a região e negou que o investimento de R$ 14 milhões na pavimentação da pista tenha sido feito em benefício próprio. Aécio é questionado desde o início da crise sobre se havia usado o local em suas idas à fazenda que, segundo ele, pertence ao espólio de sua avó, Risoleta, viúva de Tancredo e irmã de Múcio.

TÁTICA

O mea culpa de Aécio é uma estratégia para tentar encerrar o assunto que vem perseguindo o candidato nos encontros com jornalistas. Pela manhã de quarta-feira, na sede da Confederação Nacional da Indústria, o tucano havia se recusado mais uma vez a responder se utilizou o aeroporto.

Aliados de Aécio defendiam que o candidato respondesse antes a esta pergunta. O comitê avalia que as respostas sobre a obra em si foram rápidas e convincentes, mas a atitude de não dizer se havia usado ou não a pista prolongou a crise. Pelas regras da Anac, quem deve saber se o uso do local é regular ou não é a empresa que fornece a aeronave a um cliente ou o piloto que a opera. Em caso de irregularidade, a pena é multa de no máximo R$ 10 mil por operação.

Aécio afirmou que "não houve nenhuma ilegalidade na construção do aeródromo", mas reconheceu como "erro absurdo" as chaves de acesso à pista estarem nas mãos de "cinco ou seis pessoas", como noticiado pela primeira reportagem sobre o caso. O tucano atribuiu essa situação à prefeitura de Cláudio.

"Demorei exatamente porque, para mim, o essencial era que a acusação grave e frontal que me foi feita ficasse esclarecida", disse. "Não houve benefício de parente. Ao contrário, não estaria o antigo proprietário questionando (o valor da indenização)." 

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