'É pouco provável que saraivada sobre presidente tenha efeito'

Na largada para a última semana de campanha, Dilma Rousseff decidiu aproveitar o debate da TV Record para manter a bem sucedida estratégia de desconstrução da imagem de Marina Silva. Com isso, pretende abrir a maior vantagem possível sobre a adversária no 1º turno e chegar ao segundo turno com uma frente que dificilmente poderia ser revertida em curto tempo.

Marcelo de Moraes, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2014 | 01h12

Dilma escolheu para sua primeira pergunta no debate justamente Marina. Criticou as mudanças de partido da adversáriae disse que ela não falava a verdade quando não assumia ter votado contra a manutenção da CPMF. Talvez tenha sido o único momento de tranqüilidade da presidente.

A partir daí, passou a ser o alvo de praticamente todos os adversários, especialmente em relação às denúncias de corrupção na Petrobrás, e teve dificuldades para administrar suas respostas.

A maior surpresa foi ter gasto sua pergunta para Aécio Neves abordando exatamente a hipótese de privatização da estatal em caso de vitória do tucano. O tucano não perdeu a deixa e usou o tempo para associar novas denúncias da Petrobrás à campanha da petista.

A presidente foi atacada até mesmo pelos candidatos nanicos, que também exploraram o tema corrupção. A saraivada de críticas foi tão forte que Dilma pediu direito de resposta por três vezes apenas no primeiro bloco e foi atendida uma vez. Durante uma pergunta de Marina sobre uso do etanol acabou preferindo responder à críticas feitas por outros adversários em debates que não lhe incluíram.

Com apenas uma semana para o fim da campanha no 1º turno, é pouco provável que apenas um debate cause prejuízos ou alavanque alguma campanha. Na verdade, todos os debates até agora provocaram pouco ou nenhum efeito sobre a opinião pública. Mas na sua tática de desconstrução de Marina, Dilma, dessa vez, passou longe do sucesso. Pior: não conseguiu tirar os escândalos da Petrobrás do centro das discussões. Precisou falar várias vezes sobre a defesa das investigações.

A seu favor Dilma tem, porém, uma confortável vantagem sobre os demais postulantes ao Planalto. É essa blindagem política que ajuda a candidata a não sofrer um impacto significativo dos ataques recebidos no domingo.

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