‘É hora de aposentar as raposas’, diz Campos

Governador de Pernambuco adota discurso da renovação ao citar aliança com Marina

Tiago Décimo , O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2013 | 02h13

SALVADOR - O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), disse nessa terça-feira, 8, que a aliança de seu partido com a ex-ministra Marina Silva foi feita para "animar a vida pública brasileira" e "renovar a política" do País.

"Vamos mostrar que dá para fazer política com decência", disse Campos. "Chegou a hora de a gente aposentar um bocado de raposas que estão enchendo a paciência do povo brasileiro. Elas precisam ir para casa para o Brasil seguir em frente."

Em entrevista de meia hora ao radialista e ex-prefeito de Salvador Mário Kertész, da Rádio Metrópole, o governador pernambucano disse que a aliança, que surpreendeu o meio político brasileiro, foi construída em poucas horas. "As conversas começaram na quinta-feira, após a decisão da Justiça (que não validou a criação da Rede Sustentabilidade), e levaram a uma reunião na sexta", contou. "A Marina apresentou uma ideia de aliança programática com o PSB, de ingressar no partido enquanto a Rede não recebe a autorização da Justiça de funcionar como partido."

Sobre o PT e o PSDB, Campos ressaltou os laços de "respeito" e "amizade" que têm tanto com o presidenciável Aécio Neves, do PSDB, quanto com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, mas assegurou que segue "um novo caminho". "Vamos fazer belos debates sobre saúde, educação, sustentabilidade. Fazer um debate que interesse à vida das pessoas, não um debate 'esse presta, aquele não presta'." Quando o entrevistador citou que a candidatura de Campos era uma "terceira via", ele respondeu: "Terceira via por enquanto".

Segundo Campos, as conversas, agora, evoluem para a formação do programa de governo. "Vamos elaborar as bases do programa que vamos apresentar à sociedade brasileira", disse, salientando ser contrário à política de divisão de cargos públicos entre partidos da base aliada. "Esse modelo de pacto político está superado, o que ele tinha para dar, já deu", disse. "Não podemos fatiar a República entre partidos como se isso fosse natural. Você tem sustentação parlamentar quando tem sustentação das ruas. Se o povo fica contra você, rapidamente quem estava do seu lado fica contra também."

Sobre o tema, o governador de Pernambuco aproveitou para criticar veladamente o governo federal, ao dizer que "o jeito é muito importante" para lidar com aliados. "Há quem ache que política é só força, mas a gente vai vendo, na vida, que a política é, sobretudo, jeito", disse. "Jeito de fazer, jeito para trazer pessoas para ajudar."

Sobre a recente decisão do governador do Ceará, Cid Gomes, e de seu irmão, Ciro Gomes, de deixar o PSB, Campos disse ter recebido a notícia "com tranquilidade".

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