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'É estratégia antiga desviar o foco', diz defesa de Dirceu

Alguns dos principais criminalistas do País, advogados de réus do mensalão, reagiram ontem à manifestação do procurador-geral Roberto Gurgel. "É estratégia antiga desviar o foco de uma indagação que causa constrangimento", disse José Luís Oliveira Lima, que defende o ex-ministro José Dirceu. "As declarações do procurador-geral são desrespeitosas com os parlamentares da CPMI ao afirmar que eles são manipulados."

O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2012 | 03h07

Para Oliveira Lima, não foram apenas os parlamentares de diversos partidos que questionaram a postura do procurador, mas uma parcela da mídia e também o delegado da PF que presidiu a Operação Vegas. "O ex-ministro (Dirceu) não tem receio do julgamento do processo. Sempre quis ser julgado e disse isso em várias oportunidades."

O advogado assevera que não há nos autos nenhuma petição com o intuito de retardar o andamento do feito. "Chegamos, inclusive, a desistir da oitiva de testemunhas para acelerar o julgamento. A defesa confia no saber jurídico dos ministros do STF e na serenidade deles para decidir de acordo com a prova dos autos."

"O STF decidiu conceder cinco horas para que o procurador-geral apresente a sua defesa oral", anotou o criminalista. "Estou curioso para saber o que ele vai dizer, uma vez que em mais de cinco anos de processo não conseguiu produzir uma prova sequer contra o ex-ministro. Assim como a denúncia é uma peça de ficção, a afirmação do procurador-geral de que os réus do mensalão são os mentores dos ataques desferidos contra ele é fruto de sua criatividade intelectual."

Marcelo Leonardo, defensor do empresário Marcos Valério, suposto operador do mensalão, declarou: "Um caso não tem nenhuma relação com o outro. Não me parece que fica bem a um procurador-geral, ao invés de explicar o seu procedimento, querer fazer insinuações ou ilações".

Tales Castelo Branco, que defendeu o publicitário Duda Mendonça, disse: "Acho que a manifestação do procurador é um tanto demagógica. Ele prepara o terreno para lançar uma estratégia para colocar todo mundo contra os réus e os advogados".

O novo advogado de Duda, Luciano Feldens, observou: "Não fiquei nem um pouco satisfeito com o pecado da generalização. Mas eu não recebo para mim essa acusação na medida em que não me enquadro nessa categoria, se é que existe o que ele (Gurgel) lançou. Não soube separar os fatos nem as pessoas".

O criminalista Antonio Sérgio Pitombo, que defende o empresário Enivaldo Quadrado, disse que não se corrige um erro com outro. "É evidente que o procurador tem o dever de dar satisfação ao País porque não agiu no caso do senador Demóstenes. Uma incógnita que ele precisa explicar à sociedade." Pitombo considera que "ele (Gurgel) não vai no curso do julgamento (do mensalão) agir com equilíbrio, perdeu a equidistância em razão de fato que não explica". / FAUSTO MACEDO

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