'É cedo para dizer qual será o desgaste'

"Não me parece que o efeito da fuga de Henrique Pizzolato venha a ser grande na imagem do PT, mas é cedo para dizer seu tamanho real. Não temos como saber os desdobramentos, se ele será extraditado ou não. Se for, será um problema para o PT. Pois, como governo, ele tem de pedir essa extradição e, como partido, vai sofrer se isso ocorrer. Mas tudo depende do governo italiano. Se ele obtiver um habeas corpus, seu discurso ganha força. Mas, se continuar preso na Itália, isso vai destruir sua argumentação de "preso político". Será mais um governo, o segundo, a corroborar as acusações que pesam sobre sua conduta. Dentro do partido, o impacto é limitado. Pizzolato tem uma trajetória sindical, foi militante na área bancária - mas sempre uma figura desconhecida. Só se tornou uma figura visível já sob os holofotes do escândalo do mensalão. Essa trajetória dificulta qualquer tentativa de fazer dele um mártir político. Delúbio também cresceu na área sindical, mas já era uma liderança dentro da máquina partidária nos anos 80. A mobilização que ocorreu para obtenção dos recursos para quitar as multas dele e de Genoino - como deve ocorrer com Dirceu - não ocorreria no caso de Pizzolato. Para esses outros, tentar passar a ideia de preso político é racional: todos são figuras emblemáticas. Mas não vejo o episódio como grande conflito para o petismo, pois a maioria desconhece Pizzolato. O mais racional para a direção do PT é se distanciar, pois não se trata de um dos grandes nomes da legenda. Os escândalos não afetam, embora a militância sempre queira uma satisfação."

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