E a 'piscina de Karina' fez água

Vereadora do PC do B obteve verba federal para parque aquático, mas obra está cheia de falhas

FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2011 | 03h08

Enquanto uma chuva de denúncias sobre repasses supostamente ilegais para ONGs ligadas ao PC do B põe em xeque o ministro Orlando Silva, a 'piscina da Karina' não enche nunca e dá margem a polêmicas e desconfianças dos 48 mil habitantes de Jaguariúna (SP).

A obra foi viabilizada pela vereadora e ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues, do partido e das relações pessoais do ministro. Ela dirige a organização Pra Frente Brasil, que antes foi Bola Pra Frente, criada em 2003, agora sob suspeita do Ministério Público e do Tribunal de Contas. Em sete anos, a ONG captou R$ 28 milhões em recursos da pasta de Orlando - R$ 12,9 milhões liberados só em 2010.

A piscina de Jaguariúna foi inaugurada no dia do aniversário da cidade, 12 de setembro, mas até agora ninguém nela mergulhou porque a água se foi - depois da festa, as autoridades interditaram a área.

O problema é que, sem as devidas ligações e sem tratamento e bombas, a piscina foi enchida com caminhões-pipa. Com o volume d'água e a forte pressão, as paredes não suportaram e a água escoou pelas rachaduras. Em menos de dez dias, a 'piscina da Karina' praticamente secou.

A vereadora diz que não aceitava o fato de Jaguariúna oferecer uma só piscina a seus munícipes, por isso foi a Brasília reivindicar R$ 350 mil para construir uma semiolímpica aquecida e outra, menor, para hidroginástica da terceira idade no Parque Serra Dourada.

"Esse dinheiro nem passou pela minha mão", ela afirma. "Apenas fui a Brasília e no ministério falei com o secretário que libera recursos para prefeituras. Apresentei projeto, normal. Foi a única verba que consegui como vereadora."

O dinheiro que Karina pleiteou logo veio e o Departamento de Licitação da prefeitura abriu concorrência, em setembro de 2010, na modalidade tomada de preços. A Pavimentadora e Construtora Viasol assumiu a obra, orçada em R$ 325,7 mil e com prazo de quatro meses para entrega. O contrato recebeu aditamento de R$ 98,8 mil.

Contam pela cidade que, nos idos de 50 e 60, o local onde construíram o parque aquático era uma lagoa que foi aterrada com lixo doméstico, restos de cerâmica e de construção. A prefeitura informou que "os problemas foram causados por uma acomodação do terreno" e estima que "em cinco dias o serviço esteja totalmente concluído". A Viasol não se manifestou.

"A construtora não é minha, a piscina não é minha", diz Karina. "Quero investigação, pedi CPI. Na Câmara eu meti o sarrafo neles. Rachadura não é culpa minha, meti o pau no vazamento. A piscina é uma vergonha."

Karina refuta suspeitas que cercam sua ONG. "As contratações eu faço com pregão presencial e ampla transparência. Eu não tenho tanta força no ministério. As coisas não são tão simples. Sabe quantas vezes almocei com o Orlando? Uma em cinco anos."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.