'Duda não é mensaleiro', diz advogado

Segundo defesa, publicitário e sua sócia não cometeram ilegalidades; Kakay fez espécie de desagravo a Dirceu e ex-presidente Lula

FELIPE RECONDO, MARIÂNGELA GALLUCCI , EDUARDO BRESCIANI , RICARDO BRITTO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2012 | 03h06

Os advogados dos publicitários Duda Mendonça e Zilmar Fernandes, últimos a falar na fase de defesa do julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal, afirmaram ontem que o mensalão foi uma criação do ex-deputado federal Roberto Jefferson depois de seu partido, o PTB, ter sido acusado de envolvimento com corrupção. Os advogados disseram ainda que seus clientes receberam dinheiro de forma lícita para pagamento por serviços prestados durante a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.

"Duda não é mensaleiro. Zilmar não é mensaleira", disse o advogado Luciano Feldens. "(O mensalão)É uma tese de defesa que um parlamentar criou quando o seu partido foi flagrado em um esquema de corrupção nos Correios. Ele não pôde se defender, então ele atacou", afirmou Antonio Carlos de Almeida Castro, que também defende os publicitários.

Conhecido Brasília pelas boas relações com políticos de diversos partidos, Kakay, como é conhecido, usou parte da sustentação oral em que deveria defender seus clientes para fazer um desagravo ao ex-ministro José Dirceu e ao ex-presidente Lula.

Dirceu, seu amigo pessoal, foi defendido de forma veemente - para alguns presentes de forma até mais empolgada do que fez o advogado que representou o ex-ministro no julgamento, José Luís Oliveira Lima. "O ministro José Dirceu é íntegro, honesto, duro", disse Kakay, acrescentando que o ex-ministro seria intransigente com as suspeitas de corrupção nos Correios, envolvendo apadrinhados do PTB. Ele também elogiou Lula. "Não sou petista, mas quero prestar minhas homenagens ao presidente."

Feldens confirmou que Duda e Zilmar receberam R$ 11,2 milhões por meio de saques no Banco Rural e depósitos em uma conta no exterior. De acordo com ele, o dinheiro era lícito e decorrente do contrato publicitário da campanha de Lula em 2002. Feldens afirmou que mais de 300 pessoas trabalharam na campanha e precisavam receber os pagamentos.

"Qual o poder intimidatório de Duda para pedir o recebimento no exterior? Isso não parece que tenha sido exigência do devedor?", disse Feldens. O advogado reconheceu que Duda omitiu os recursos da Receita Federal. Mas disse que posteriormente ele pagou multa de R$ 4,3 milhões.

Kakay afirmou que não podem ser consideradas provas obtidas exclusivamente pela CPI, que não passaram pelo crivo do Judiciário. Também criticou um suposto tratamento diferenciado recebido pelo procurador-geral da República durante o julgamento. O Estado mostrou ontem que vinha causando constrangimento aos integrantes do Supremo a presença de Roberto Gurgel no local do lanche dos ministros no intervalo das sessões.

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