'Duas ou três pessoas do meu partido criam essa instabilidade'

Brizola Neto, ministro do Trabalho e desafeto de Lupi, que preside o PDT e foi seu antecessor, critica pressão para deixar posto

DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

09 de março de 2013 | 02h06

Sob fortes rumores de que será trocado por outro pedetista na minirreforma ministerial, em ação orquestrada por membros de seu próprio PDT, o ministro do Trabalho, Brizola Neto, de 34 anos, afirma não ter recebido qualquer indicação da presidente Dilma Rousseff sobre sua substituição.

Caso chegue este dia, ele afirma que não haverá espanto. "Surpresa nenhuma, porque eu não 'sou' ministro, 'estou' ministro."

Pelo discurso, Brizola Neto não pretende repetir o antecessor, o desafeto Carlos Lupi, que em 2011 decretou que só deixaria a pasta "a balas". Dias depois, foi convidado a se retirar do cargo em meio a suspeitas de corrupção.

Offline. Brizola Neto diz ter encontrado um ministério desorganizado dez meses atrás, quando assumiu - funcionários dizem que o computador destinado ao chefe da pasta nem sequer tinha internet. A falta de conexão, porém, é mais grave hoje dentro de seu próprio partido. Vêm da cúpula de sua legenda, diz ele, os ataques a seu nome. Eles miram destituí-lo do governo Dilma a fim de emplacar por alguém mais alinhado a Lupi, a quem deve enfrentar também na disputa pela presidência do partido, na convenção nacional marcada para o dia 22. "Não tenho a menor dúvida de que esses ataques têm origem em toda essa instabilidade política criada por duas ou três pessoas que são do meu partido", afirma Brizola Neto.

Ele critica o racha da legenda e diz que desde a morte do líder Leonel Brizola, seu avô, a agremiação entrou em "um período de inércia". Acusa o grupo de Lupi - sem citar nomes - de tomar atitudes pouco democráticas restringindo a participação dos filiados na escolha da nova Executiva Nacional do PDT. E alfineta: "Estou muito triste de ver um partido com as tradições do PTB condicionar apoio em troca de cargos". Ao contrário do pensamento de parcela do PDT, que considera apoiar outro candidato à reeleição em 2014, Brizola Neto considera o apoio a Dilma no ano que vem "tão natural como um rio que corre para o mar".

Nana, neném. Parte de seus correligionários considera que o ministro não representa o partido dentro do ministério, como fazia Lupi. O grupo classifica sua indicação como "cota pessoal" da presidente, que foi pedetista e amiga de Leonel Brizola.

O ministro se defende dizendo ter entrado no governo com o apoio das centrais sindicais. Mas, de fato, Dilma ninou Brizolinha, com então quatro anos, em seu colo, na época em que ambos moravam no Rio Grande do Sul. Ele recusa a fama de íntimo da presidente. "Minha mãe e ela militaram juntas na reorganização do PDT na década de 80 e depois perdemos o contato. Elas se reencontraram na posse, depois de 20 anos sem se ver. Era uma relação de identidade política.

Em demonstração de extrema dedicação a Dilma, a quem chama de "líder extraordinária", o ministro diz que seu futuro político vai depender dos desejos da petista. "Mais do que minha vontade de ser candidato nas próximas eleições (a deputado federal ou senador), eu tenho um compromisso com essa delegação que a gente recebeu e, se for vontade da presidente que a gente permaneça para continuar servindo ao projeto, essa vai passar a ser a nossa vontade. Se for a vontade da presidente Dilma que eu saia para somar no processo eleitoral, essa passará a ser a nossa vontade." E diz que, independentemente do que acontecer, é "muito honrado mesmo de ter participado de um governo de uma presidente como ela".

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