DRU dá o tom da corrida por vagas na Esplanada

Partidos da base mostram, nas principais votações, fidelidade ao governo, já de olho na reforma ministerial prometida pela presidente para março

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h07

De olho na reforma ministerial, os partidos da base aliada entraram numa corrida para tentar mostrar quem é o mais fiel ao Palácio do Planalto nas votações essenciais para o governo. A taxa de adesismo da base pôde ser medida nas votações, principalmente na Câmara, da emenda constitucional que prorroga a Desvinculação das Receitas da União (DRU) até dezembro de 2015. Além do PT, cinco partidos (PMDB, PSB, PSD, PC do B e PSC) passaram com louvor na prova de fogo da fidelidade ao Planalto.

A disputa se acirrou com a entrada em campo do PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Apesar de o prefeito paulistano garantir que o partido é independente, a aposta na base aliada é que o PSD tenta se cacifar para ganhar uma vaga na Esplanada dos Ministérios. Recém-criado, o partido mostrou ao que veio nas votações do primeiro e segundo turnos, na Câmara, da prorrogação da DRU.

Projeto essencial para o governo, a DRU ganhou a totalidade dos votos dos deputados presentes do PSD às duas sessões. "Votamos a favor para dar uma tranquilidade ao governo nesse cenário nebuloso. Não votamos em cima de barganha política e sim porque é um projeto emblemático para o governo", diz o líder do PSD na Câmara, deputado Guilherme Campos (SP).

Corrida. Com uma bancada de 50 deputados, os pessedistas se dizem independentes, mas não param de dar demonstrações de alta fidelidade ao Planalto. Junto com o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o PSD tornou-se um contraponto à força do PMDB. PSB e PSD unidos somam uma bancada de cerca de 80 deputados, não deixando o governo tão refém dos peemedebistas.

Mesmo sem dar 100% dos votos, o PR e o PP não perdem tempo em alardear sua fidelidade ao governo. "O PP tem ficado ao lado do governo. Tem tido uma postura de correção com o governo Dilma Rousseff", afirma o líder do partido na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB).

Ele lembra que a única dissidência reincidente no partido é o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que votou contra o governo nos dois turnos da emenda da DRU na Câmara. Na reforma ministerial, o PP corre o risco de ficar sem o Ministério das Cidades, pasta cobiçada pelo PT e pelo PMDB.

Outro que entrou na corrida da fidelidade é o PR. Primeiro partido a ser defenestrado na faxina promovida pela presidente Dilma, o PR luta agora para recuperar o prestígio perdido com a saída do titular dos Transportes.

"Não estamos na base, somos independentes. Mas votamos com o governo sempre, salvo uma ou outra questão", observa o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG). Nas votações da DRU, o partido seguiu o mesmo ritual da lealdade: no primeiro turno, três deputados votaram contra o governo; no segundo, apenas um.

Pioneirismo. Foi o PMDB quem inaugurou essa prática de "fidelidade irrestrita" ao Palácio do Planalto, no início deste ano, durante a votação do salário mínimo. Na época, o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), subiu à tribuna da Casa e prometeu unanimidade da segunda maior bancada a favor do mínimo de R$ 465, valor fixado pelo governo. Não entregou o prometido - da bancada de 77 deputados, dois faltaram e três votaram contra o Planalto -, mas iniciou o adesismo explícito ao governo da presidente Dilma Rousseff.

O teste de fogo do governo para medir a fidelidade ao Planalto será a nova votação do Código Florestal pelos deputados. O assunto divide a base aliada que, em meados deste ano, impôs a primeira derrota importante à presidente Dilma na Câmara.

Mas a rodada de negociações do Código com os deputados não será usada como parâmetro para a reforma ministerial. Motivo: o projeto não é consensual e, por isso, os líderes aliados decidiram deixar a proposta para ser votada no ano que vem, depois da dança das cadeiras na Esplanada dos Ministérios.

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